Jornais citam virada de Lula sobre Flávio Flávio Bolsonaro e o não alinhamento do País à tendência recente da América Latina de eleger líderes de direita
A imprensa internacional repercutiu neste domingo, 25, a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os veículos de comunicação do exterior classificaram o resultado como “dramática reviravolta” e “surpreendente”. O petista venceu a disputa do segundo turno com 51,79% dos votos válidos contra 48,21% do senador Flávio Bolsonaro (PL).

O jornal argentino La Nación destacou o dia da eleição como “polêmico” devido à extensão do horário de votação e chamou a reeleição de Lula de “virada inédita”. O texto citou a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin de prorrogar o horário de votação até as 19 horas em todo o País. O pedido foi feito pelas duas campanhas.
O jornal aponta a queda na abstenção – de 21% no primeiro turno para 19,21% no segundo turno, que representa cerca de 3 milhões de eleitores no País.
A reportagem repercute ainda na relação diplomática entre Brasil e Argentina. "As ações do presidente argentino Javier Milei, que apoiou abertamente Flávio Bolsonaro após meses de tensão diplomática com Lula, também foram centrais para a campanha. Com a vitória do Partido dos Trabalhadores, a relação entre Buenos Aires e Brasília, os dois principais parceiros do Mercosul, enfrenta um futuro incerto, com um dos países vizinhos apostando abertamente na derrota do presidente reeleito", escreve.
A agência de notícias Reuters chamou a vitória de Lula de “resultado surpreendente” por desafiar as últimas pesquisas de intenção de voto e a onda de vitórias da direita na América Latina. Além disso, a agência relembrou a trajetória política do presidente e destacou sua reeleição depois de ter ficado em segundo lugar no primeiro turno.

"A vitória de Lula priva Trump de um importante reforço para o crescente bloco de governos latino-americanos de direita que adotaram a agenda de Washington em matéria de segurança e migração", citou a agência sobre o cenário internacional e o relacionamento com o governo americano.
A agência destacou que, apesar da vitória, o governo pode encontrar dificuldades de governar em razão de um Congresso mais conservador. "Juntos, o Partido Liberal (PL) de Bolsonaro e os partidos aliados poderiam controlar mais de 280 cadeiras na Câmara dos Deputados e até 50 cadeiras no Senado, o suficiente para maiorias confortáveis em ambas as casas", disse.
A notícia mencionou também a economia, apontando que, segundo as previsões do governo, ela crescerá apenas 2,3% no próximo ano, o que pode agravar as preocupações fiscais ligadas às elevadas taxas de juro e à dívida pública.

O The Guardian, do Reino Unido, afirmou que o presidente reeleito protagonizou uma “dramática reviravolta” ao derrotar Flávio Bolsonaro e conquistar “um quarto mandato histórico”.
O jornal também relembrou o resultado do primeiro turno, ocorrido em 4 de outubro, liderado por Flávio. Segundo o jornal, após a conclusão do primeiro turno, o futuro político de Lula foi colocado em dúvida. "Desde o retorno da democracia na década de 1980, nunca antes o segundo colocado no primeiro turno havia vencido o segundo turno", disse.
A reportagem destacou também a participação popular na reeleição do presidente e citou manifestações na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, e na Avenida Paulista, em São Paulo.
"O político de esquerda de 81 anos parece ter compensado grande parte da diferença através daquilo que seus aliados identificaram como sua principal oportunidade: persuadir seus eleitores a comparecerem às urnas. Após uma taxa recorde de abstenção de 21,08% no primeiro turno, que afetou desproporcionalmente os eleitores de Lula por estes tenderem a morar mais longe dos locais de votação, a taxa caiu para 19,21%", mencionou.
O jornal citou também o cenário para o presidente dos EUA, Donald Trump. "O presidente americano esperava que Bolsonaro se tornasse o mais recente de uma série de líderes pró-Trump a assumir o poder na América Latina, incluindo Abelardo de la Espriella, na Colômbia, Daniel Noboa, no Equador, José Antonio Kast, no Chile, e Javier Milei, na Argentina", escreveu.

O Washington Post, jornal americano, destacou a eleição de Lula para o quarto mandato e citou o governo de Jair Bolsonaro, ex-presidente da República e pai de Flávio Bolsonaro, como justificativa para a mobilização de eleitores nas últimas semanas.
"Mas a perspectiva de uma restauração de Bolsonaro galvanizou os eleitores. A Presidência de seu pai, de 2019 a 2023, foi marcada por turbulências institucionais e retrocessos ambientais. Jair Bolsonaro minimizou a pandemia do coronavírus, que matou mais de 700 mil pessoas no Brasil, atacou as instituições democráticas e implementou políticas que alienaram mulheres, negros e indígenas", citou o texto.
O governo Trump foi citado como simpático à família Bolsonaro, e o resultado das urnas, como um revés para a construção de um bloco alinhado aos EUA na América Latina.
"Trump não declarou apoio a Flávio Bolsonaro, como fez com seu pai em 2022. Mas seu governo tomou diversas medidas solicitadas pela família Bolsonaro. Impôs tarifas sobre produtos brasileiros e sanções a autoridades importantes para pressionar o País a arquivar o processo contra Jair Bolsonaro e planejou enviar altos funcionários para questionar a integridade das eleições brasileiras", citou o texto.
O papel das plataformas digitais nas eleições também foi mencionado pelo jornal. "A campanha de Lula acusou a Meta de direcionar suas plataformas em favor de Flávio Bolsonaro, alegando que os resultados de busca marginalizavam ativistas progressistas, vídeos críticos ao candidato de direita eram removidos sem explicação e publicações pró-Lula alcançavam menos pessoas."








