Acordo negociado simultaneamente com PF e PGR continua em análise no Ministério Público Federal

A Polícia Federal rejeitou a proposta de delação premiada apresentada por Daniel Vorcaro. A decisão já foi comunicada aos advogados do empresário, segundo fontes com conhecimento das negociações.
Apesar da recusa da Polícia Federal (PF), a Procuradoria-Geral da República (PGR) ainda pode analisar a proposta de forma independente. O acordo de colaboração vinha sendo negociado simultaneamente com as autoridades.
Segundo reportagem do G1 e fontes ligadas às investigações, o empresário não teria citado nomes apontados como integrantes do topo da suposta organização criminosa, embora o envolvimento dessas pessoas já tivesse sido identificado pelos investigadores. PF e PGR fizeram ressalvas distintas sobre o conteúdo e o alcance das informações apresentadas.
Transferência de cela
Vorcaro foi transferido para uma cela comum nesta terça-feira (19), na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, após solicitação da própria PF. Com a mudança, o ex-banqueiro passa a seguir integralmente as regras internas da corporação, incluindo os protocolos para recebimento de visitas, como encontros com advogados.
Da investigação à prisão
Desde que foi preso pela primeira vez, em novembro de 2025, Daniel Vorcaro passou a ocupar o centro da Operação Compliance Zero, investigação da Polícia Federal que apura um suposto esquema bilionário de fraudes financeiras, lavagem de dinheiro, corrupção e obstrução de investigações envolvendo o antigo Banco Master.
A primeira prisão ocorreu no aeroporto de Guarulhos, quando o banqueiro tentava embarcar em um jatinho particular com destino ao exterior.
Após ser solto com medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica, Vorcaro voltou a ser preso em março de 2026 por determinação do ministro André Mendonça, do STF.
Essa nova ordem de prisão foi baseada em suspeitas de tentativa de interferência no inquérito criminal, ocultação patrimonial e atuação de grupos ligados ao banqueiro para monitorar e intimidar adversários e investigados.
Com o avanço das apurações, a PF ampliou o foco sobre aliados, familiares e agentes públicos supostamente ligados ao esquema. Em maio deste ano (2026), o pai do banqueiro, Henrique Vorcaro, foi preso em nova fase da operação.
Segundo investigadores, ele teria papel central em um grupo apontado como responsável por ações de monitoramento e intimidação de desafetos do ex-proprietário do banco.







