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Deputados aprovam projeto que criminaliza o aumento abusivo de combustíveis

Medida aprovada pela Câmara criminaliza reajustes considerados artificiais ou sem justa causa em setores de utilidade pública

Plenário da Câmara Federal em 20 de maio de 2026 / Foto: Reprodução (Bruno Spada – Câmara dos Deputados)

A Câmara dos Deputados aprovou na noite de quarta-feira (20) um projeto de lei que prevê pena de até quatro anos de prisão para quem elevar de forma artificial e/ou sem justificativa os preços de bens e serviços de utilidade pública, como os combustíveis. A proposta segue agora para análise do Senado.

A proposta foi enviada pelo governo como parte de um pacote de medidas para conter a alta dos combustíveis diante da escalada das tensões no Oriente Médio, especialmente entre Irã e Estados Unidos.

O barril de petróleo era negociado abaixo de US$ 70, antes do agravamento do conflito e chegou a ultrapassar a marca de US$ 120 em março de 2026.

Emenda

O projeto altera a legislação que trata dos crimes contra a ordem econômica e as relações de consumo, ampliando as punições para agentes de setores de utilidade pública responsáveis por serviços essenciais, como o abastecimento de combustíveis.

A proposta estabelece que o aumento de preços sem justa causa ficará caracterizado quando resultar de práticas anticoncorrenciais ou não tiver respaldo em fatores econômicos, como a elevação dos custos de produção.

O texto também prevê que o Ministério Público firme acordos de cooperação com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para investigar e apurar possíveis irregularidades.

Medida Punitiva

A pena, que poderá variar de 2 a 4 anos e multa, poderá ser aumentada de um terço até a metade se a conduta:

– ocorrer em contexto de calamidade pública ou crise de abastecimento;

– for praticada por agente econômico que detenha posição dominante no mercado.

De acordo com o relator, deputado Merlong Solano (PT-PI),  apesar das várias medidas adotadas pelo governo para reduzir os efeitos da guerra no Oriente Médio, os preços continuaram a subir.

"Esse cenário evidencia a existência de falhas na transmissão dos efeitos das políticas públicas ao consumidor final, levantando preocupações quanto à ocorrência de práticas abusivas de precificação", afirmou Merlong.

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