Condenado a 16 anos pelo STF por tentativa de golpe, ex-deputado foi detido por autoridades migratórias nos Estados Unidos, o ICE

O ex-deputado federal Alexandre Ramagem foi preso nesta segunda-feira (13), em Orlando, nos Estados Unidos, por agentes do Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE). A ação contou com cooperação internacional entre a Polícia Federal e autoridades dos Estados Unidos.
Ramagem foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a 16 anos de prisão, por tentativa de golpe de Estado. Segundo a PF, ele é considerado foragido da Justiça brasileira após condenação pelos crimes de organização criminosa armada, golpe de Estado e tentativa de abolição violenta do Estado de Direito.
Depois disso, ele viajou para os Estados Unidos antes da prisão ser decretada. Considerado foragido, o governo brasileiro solicitou a ordem de extradição.
Fuga para os EUA
A condenação aconteceu em 11 de setembro de 2025, na 1ª Turma do STF, junto com o ex-presidente Jair Bolsonaro. Na época, Ramagem não foi julgado pelos crimes ligados aos atos de 8 de janeiro, porque já tinha sido diplomado deputado federal. Isso permitiu que parte do processo fosse suspensa pela Câmara dos Deputados.
Depois que ele perdeu o mandato, em 18 de dezembro, o STF retomou o processo. Com isso, a Procuradoria-Geral da República passou a defender que novas acusações fossem incluídas contra o ex-deputado.
Ao perder seu mandato de deputado, ele também teve seu passaporte diplomático cancelado, assim como a Câmara efetuou o bloqueio dos seus vencimentos parlamentares.
Já foragido nos Estados Unidos, em 6 de fevereiro de 2026, o ex-deputado prestou depoimento por videoconferência no processo sobre os atos de 8 de janeiro. Na ocasião, negou os crimes e preferiu não responder a algumas perguntas.
Nas alegações finais, a PGR pediu a condenação de Ramagem por outros crimes, como danos a bens públicos e destruição de patrimônio histórico, relacionados aos atos de 08 de janeiro.
Segundo o Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, Ramagem teria atuado ao lado de Bolsonaro em discursos que incentivavam medidas contra a Constituição. Em um trecho do documento, ele afirma:
“Não houve exercício legítimo da liberdade fundamental de expressão, mas o uso de verdadeiro artifício de deslegitimação do processo eleitoral, para gerar estado de coisas favorável a providências de desrespeito, pela força, do resultado apurado nas eleições de 2022”, escreveu Paulo Gonet em seu pedido de condenação de Alexandre Ramagem.
A acusação também aponta que Ramagem teria atuado nos bastidores do governo, ajudando a construir narrativas consideradas prejudiciais e participando da chamada “Abin paralela”.








