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Presidente de Banco Central desmonta tese de rivalidade entre Pix e cartão

Em audiência no Senado, Gabriel Galípolo associou ferramenta criada pelo Banco Central ao aumento do crédito

Presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, durante audiência da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado em 19 de maio de 2026 / Foto: Reprodução (Agência Senado)

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reforçou nesta terça-feira (19), durante uma audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, que o Pix não está acabando com o mercado de cartões  no Brasil; muito pelo contrário.

"O Pix incluiu pessoas que estavam à margem do sistema [financeiro], que passaram a ter cartão de crédito. Pessoas imaginam que tem rivalidade entre o Pix e o cartão de crédito, mas a gente observa que não, que o cartão de crédito cresceu com a bancarização”, afirmou Galípolo.

A suposta rivalidade ganhou dimensão internacional no ano passado, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticar o Pix e usá-lo como uma das justificativas para o taifaço articulado pela família Bolsonaro para pressionar o Supremo Tribunal federal (STF) a absolver o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) das acusações de tentativas de golpe de estado. Documentos ligados ao USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA) afirmam que o Banco Central brasileiro poderia estar favorecendo um sistema estatal de pagamentos em detrimento de empresas americanas do setor, como Visa e Mastercard.

A acusação transformou o Pix em um tema que ultrapassa o setor financeiro, envolvendo também soberania digital e disputa por infraestrutura de pagamentos.

Os dados do próprio Banco Central ajudam a sustentar essa leitura feita por Galípolo. Desde o lançamento do Pix, no quarto trimestre de 2020, o volume financeiro movimentado por cartões de crédito no Brasil saltou de R$ 332,9 bilhões para R$ 824,7 bilhões no fim de 2025.

No mesmo período, o Pix saiu de R$ 149,8 bilhões para mais de R$ 10,2 trilhões movimentados por trimestre, consolidando-se como a principal infraestrutura de pagamentos instantâneos do país.

O comportamento dos demais meios de pagamento permitem compreender esse movimento.

Enquanto o cartão de crédito seguiu em expansão, o cartão de débito permaneceu praticamente estável ao longo dos últimos anos, indicando que o Pix passou a disputar com mais força justamente os pagamentos imediatos e à vista.

Já modalidades tradicionais, como DOC e TEC, praticamente desapareceram após a popularização do sistema criado pelo Banco Central.

Por que o cartão de crédito ainda continua relevante

Apesar da expansão do Pix, algumas das principais vantagens competitivas dos cartões de crédito  continuam difíceis de substituir. O parcelamento sem juros, por exemplo, segue sendo uma ferramenta amplamente utilizada pelos brasileiros, especialmente em compras de maior valor.

Boa parte dos consumidores preferem dividir pagamentos enquanto mantêm o dinheiro aplicado em produtos conservadores, como CDBs, aproveitando o rendimento ao longo dos meses, como já ensinamos aqui na coluna.

Além disso, o ecossistema de benefícios dos cartões permanece relevante em um mercado cada vez mais competitivo.

Programas de pontos, milhas, cashback, acesso a serviços VIP e seguros agregados continuam funcionando como incentivo para concentrar gastos no crédito, principalmente entre consumidores mais familiarizados com estratégias de acúmulo e fidelidade.

Nesse cenário, o Pix acabou assumindo um papel complementar dentro da rotina financeira, enquanto os cartões preservaram funções ligadas a crédito, conveniência e recompensa.

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