Em nota, a instituição reiterou que as propostas de delação premiadas enviadas pela defesa de Vorcaro à PF não foram acolhidas por falta de elementos probatórios

A Polícia Federal rebateu uma reportagem da revista Veja, publicada nesta sexta-feira (9), que revela supostos relatos de que Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, teria aportado R$ 30 milhões a um documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) produzido no exterior. Segundo a PF, o bilionário “não prestou depoimento com o teor relatado na matéria”.
A reportagem afirma que a negociação teria sido conduzida por João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT, para que Vorcaro e o Master pudessem acessar os cofres dos fundos de pensão de servidores federais. A Veja aponta, ainda, que foi solicitado a Vorcaro o pagamento de R$ 30 milhões em espécie, pagos por fora ao Instituto Lula, gerenciado por Paulo Okamotto, para o financiamento da produção do documentário, além de um valor não revelado aportado diretamente no Instituto Lula.
"A Polícia Federal esclarece, em relação à reportagem intitulada 'Vorcaro conta que liberou dinheiro para filme sobre Lula por negócios no governo', publicada pela revista Veja, nesta sexta-feira (9/10), que Daniel Vorcaro não prestou depoimento com o teor relatado na matéria, tampouco entregou à instituição anexos, documentos ou informações com o conteúdo ali descrito", afirmou a instituição.
"As propostas de colaboração premiada que foram apresentadas à PF pela defesa do investigado não foram acolhidas em razão do não atendimento aos requisitos legais, conforme decisão fundamentada de conhecimento da defesa", complementou a PF.
A Polícia Federal informou, ainda, que recebeu nesta sexta-feira uma notícia-crime com pedido de providências urgentes para apuração de fatos relacionados à reportagem da Veja: "A solicitação foi encaminhada à área técnica para adoção de providências de polícia judiciária".
Na reportagem, a Veja diz ter tido acesso a um áudio e documentos em que o banqueiro supostamente detalharia a negociação não só com Vaccari Neto, mas com outras figuras grandes do PT. A revista diz que o conteúdo foi reunido em um anexo enviado à Procuradoria-Geral da República, mas que o caso não foi adiante, "com a justificativa de que não haveria provas da história, tendo em vista que os pagamentos teriam sido feitos em dinheiro vivo".
Outro trecho aponta que Vorcaro teria revelado que a aproximação com figurões do PT se deu por meio de seu sócio e então CEO do Banco Master, Augusto Lima, que teria contado com Jaques Wagner, então líder do governo no Senado, para intermediar o primeiro encontro com Vaccari Neto.
O filme ao qual a reportagem se refere seria o documentário Lula, do cineasta Oliver Stone, que por sua vez nega qualquer aporte do banco Master ou entidades ligadas a Vorcaro.








