O ex-prefeito de Macapá, Dr. Furlan (PSD), foi um dos alvos da operação Palanque Digital, deflagrada nesta terça-feira (26) pela Polícia Federal para investigar um suposto esquema de desvio de mais de R$ 25 milhões da prefeitura usado para financiar uma “milícia digital”. Segundo a autoridade, o esquema tinha como objetivo promover politicamente o ex-prefeito e sua esposa, além de atacar adversários nas redes sociais com conteúdos manipulados e campanhas coordenadas.

A operação cumpre mais de 35 mandados de busca e apreensão em Macapá, Belém e Canela (RS). Entre os investigados estão políticos, influenciadores, jornalistas, ex-secretários municipais, uma agência de publicidade e seus sócios.
“Com o objetivo de apurar a prática de crimes eleitorais por uma organização criminosa voltada à criação e à operação de uma rede digital de desinformação, de autopromoção política e de ataques a adversários no estado do Amapá”, afirmou a Polícia Federal em nota.
O político ainda não se pronunciou sobre a operação.
De acordo com a investigação, a rede atuava desde a eleição de 2020 utilizando contratos de publicidade institucional da prefeitura de Macapá. A Polícia Federal afirma que os recursos públicos abasteciam ações de autopromoção política e ataques contra opositores, incluindo senadores e até um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) que não teve o nome divulgado.
“As investigações apontam que os valores destinados à comunicação pública da Prefeitura de Macapá teriam sido desviados de sua finalidade original para custear influenciadores digitais, veículos e empresas de comunicação para a divulgação de ações de caráter político-eleitoral”, seguiu a autoridade.
Os investigadores também descobriram o uso de inteligência artificial para criar vídeos, imagens, áudios manipulados e deepfakes usados nas campanhas digitais. A apuração ainda identificou conteúdos de teor homofóbico disseminados nos ataques virtuais.
Além dos contratos de publicidade, a Polícia Federal suspeita que integrantes da suposta milícia digital recebiam cargos em secretarias municipais como forma de pagamento pelos serviços prestados. Os investigadores agora tentam rastrear o destino completo dos recursos públicos e identificar todos os envolvidos no esquema.
Dr. Furlan governou Macapá entre 2021 e março de 2026 e já vinha sendo investigado pela Polícia Federal em outro caso envolvendo suspeitas de fraude em licitação e desvio de recursos públicos. Em setembro de 2025, a primeira fase da Operação Paroxismo apurou irregularidades em um contrato de R$ 69,3 milhões para obras do Hospital Geral Municipal.
O peessedista é adversário político do grupo do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que tem no Amapá sua base política. O irmão do senador, Josiel Alcolumbre (União-AP), cogitou concorrer à prefeitura de Macapá em 2024, mas desistiu antes do início da campanha, ele perdeu para Dr. Furlan na eleição municipal anterior, de 2020.
Em março deste ano, na segunda fase da mesma investigação, endereços ligados a Dr. Furlan foram alvo de mandados da Polícia Federal e servidores foram afastados por decisão do STF. No dia seguinte à operação, Furlan renunciou ao cargo de prefeito e anunciou pré-candidatura ao governo do Amapá.
Conteúdo original da Gazeta do Povo







