Ministro diz que Brasil rejeitou pedidos para restringir acesso de rivais a minerais críticos

Os Estados Unidos exigiram do Brasil, nas negociações para tentar evitar o tarifaço de 25% imposto pelo governo de Donald Trump, que o país zerasse suas tarifas de importação sobre bens industriais e produtos químicos, abrisse o mercado nacional ao setor automotivo dos EUA e restringisse investimentos de outros países em minerais críticos e terras raras. As informações foram dadas pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, nesta quinta-feira (16), em Brasília.
As propostas foram consideradas “inaceitáveis” pelo governo brasileiro, que viu motivações políticas para a imposição de 25% de tarifax contra produtos brasileiros.
Os governos dos dois países tiveram, ao todo, 30 reuniões em níveis presidencial, ministerial e técnico desde o início das tratativas, incluindo cinco encontros entre o ministro Márcio Elias Rosa e orepresentante comercial americano, Jamieson Greer.
"(Os Estados Unidos) Pretendiam nada mais, nada menos do que toda a abertura do setor químico, a redução a zero das tarifas dos bens industriais e o acesso ao mercado automotivo, dentre outros setores", disse o ministro.
Minerais Críticos
Os EUA também solicitaram que o Brasil adotasse mecanismos para restringir investimentos no setor de minerais críticos e terras raras, seguindo um modelo semelhante ao adotado por Washington em acordos firmados com países como o Reino Unido e a Austrália.
"Numa das rodadas de negociação, o que foi solicitado foi que nós fizéssemos uma medida que pudesse limitar investimentos por atores não orientados pelo mercado e entidades estrangeiras. Obviamente não aceitamos e não aceitaremos porque terras raras e minerais críticos pertencem ao povo brasileiro", afirmou o ministro.
Os Estados Unidos disputam com a China o acesso a reservas de minerais críticos.
Apesar de rejeitar as condições apresentadas pelos americanos, Elias Rosa afirmou que o governo brasileiro pretende retomar as negociações nos próximos dias na tentativa de ampliar a lista de produtosisentos da tarifa e, eventualmente, reverter a medida.
"Seria um grande desrespeito com os setores atingidos se nós não voltássemos para as mesas de negociação. Temos que postular a exclusão de outros setores. É evidente que nós vamos ter que continuar defendendo a não aplicação da tarifa", disse.







