No Brasil, a distribuição de obras só pode ser feita por empresas especializadas, grandes estúdios internacionais ou pelos próprios criadores

A distribuidora Paris Filmes descartou a distribuição no Brasil do filme “Dark Horse“, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A empresa, que atua como uma das principais distribuidoras no país, avaliou a viabilidade do filme e optou por não prosseguir.
No Brasil, a distribuição de obras só pode ser feita por empresas especializadas, grandes estúdios internacionais ou pelos próprios criadores sob regulamentação da Agência Nacional do Cinema (Ancine). Caso não haja um agente distribuidor, o filme não será exibido nos cinemas, o que pode provocar uma quebra na expectativa de lançamento em ano de eleições presidenciais e a tentativa de fomentar a o intento bolsonarista com a candidatura do “filho 01” do ex-presidente, Flávio Bolsonaro (PL).
Outras empresas não se pronunciaram sobre negociações em andamento.
Em nota, a distribuidora afirmou que recebe com frequência consultas de produtoras brasileiras e estrangeiras interessadas em avaliar a viabilidade comercial de projetos para o mercado nacional. Segundo a empresa, o filme Dark Horse foi um desses casos e passou por análise interna, mas a decisão foi não seguir com a distribuição.
A Paris Filmes ressaltou ainda que “não há negociação em curso, compromisso firmado ou contrato de distribuição relacionado ao filme”.
Além da “inviabilidade comercial” constatada pela distribuidora, a produção do filme está envolta nas investigações de fraudes financeiras do Banco Master, então gerido pelo empresário Daniel Vorcaro, que negociou R$ 134 milhões com Flávio Bolsonaro para, supostamente financiar a obra. Desse valor, R$ 61 milhões teriam sido transferidos de fato.
Mesmo sem a confirmação da distribuição, a dona da Go Up Entertainment Ltda, produtora do longa-metragem de Karina Gama Ferreira, afirmou à Folha que estuda adiar o lançamento do filme, que pretende alcançar grandes premiações. "Queremos o Oscar nas categorias de melhor filme, melhor diretor, melhor ator, melhor ator coadjuvante, melhor roteiro original e melhor filme internacional", afirmou em nota enviada anteriormente.
Outra irregularidade do longa é em relação à regulamentação da produtora. Informações de dados abertos da Ancine dão conta que a empresa só foi regulamentada no sistema federal após ter firmado contrato milionário com Vorcaro. Antes do longa, nenhum outro filme havia sido registrado pela empresa, bem como pela dona da empresa ou outros CNPJs dela, Go7 Assessoria e ONG Instituto Conhecer Brasil.
Em entrevista à TV Globo e ao Globonews, Karina afirmou que o orçamento já utilizado no filme é de US$ 13 milhões, o que equivale a aproximadamente R$ 65,65 milhões. Com isso, o montante transferido pelo empresário representa cerca de 92% do orçamento atual da produção. Dentre os investimentos feitos no filme, está a contratação do ator Jim Caviezel, conhecido por interpretar Jesus em “A Paixão de Cristo”, no papel de Bolsonaro.
A responsável pela produtora ainda argumentou que todo o dinheiro usado no filme veio do fundo Heavensgate, que é sediado nos Estados Unidos e administrado pelo advogado Paulo Calixto, ligado do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), irmão de Flávio e filho de Jair. Investigações da Polícia Federal (PF) indicam que a empresa Entre Investimentos e Participações, ligada a Vorcaro, foi a fonte de recursos para o filme. Outra linha de investigação suspeita que o dinheiro investido pode ter custeado a estadia de Eduardo nos Estados Unidos.







