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“Não vamos chorar; procuraremos novos parceiros”, disse Lula sobre tarifas dos EUA

Presidente brasileiro reforçou o discurso de soberania nacional e destacou que o país "venderá para quem deseja comprar" caso mercado americano se feche pelas tarifas

Lula abre reunião ministerial com discurso sobre a soberania nacional, contra novo tarifaço anunciado pelos EUA após visita de Flávio Bolsonaro a Trump / Foto: Reprodução

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta quarta-feira (3), que o governo brasileiro vai procurar novos parceiros econômicos, se for necessário, e que não aceitará o “tratamento” que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deu ao Brasil nesta semana.

“O importante é vocês saberem que estamos em um momento decisivo para que a sociedade brasileira e até a sociedade mundial reconheça o fortalecimento da democracia no nosso país”, destacou. “A nossa luta é para que esse país não seja tratado como uma republiqueta insignificante. Nós somos grandes, temos história e não aceitaremos o tratamento que os EUA deram ao Brasil nesta semana”, declarou Lula durante uma reunião ministerial transmitida ao vivo.

O presidente brasileiro também afirmou que enviará mais uma carta a Trump e escreverá “quantos artigos precisar escrever na imprensa americana e mundial” para mostrar que os EUA estão errados. Ao mencionar o possível novo tarifaço de 25% contra o Brasil, Lula foi categórico ao dizer que não vai “ficar chorando” e que o país buscará novos parceiros econômicos e venderá para “quem quiser comprar”.

“Se não quiser investir aqui, nós vamos procurar outro. O que vocês precisam saber é que o Brasil é dono do seu nariz. Isso aqui é um país soberano”, concluiu.

A nova ameaça de tarifas ocorre após a administração Trump concluir que as práticas econômicas do Brasil são desleais, de acordo com a Seção 301 da legislação comercial norte-americana, que abrange áreas como serviços de pagamento eletrônico, mais precisamente o PIX, tarifas preferenciais, proteção à propriedade intelectual e acesso ao mercado de etanol.

A pressão aumentou novamente nesta quarta-feira (3), quando os Estados Unidos incluíram o Brasil em uma investigação sobre trabalho forçado e propuseram uma tarifa adicional de 12,5% para países considerados falhos no combate à circulação de produtos associados a esse tipo de prática.

EUA indicou a nova taxação após visita de Flávio

A divulgação do documento também provocou questionamentos dentro do governo brasileiro sobre o momento escolhido pelos Estados Unidos para tornar públicas suas conclusões.

O relatório foi divulgado uma semana após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) participar de uma reunião com Trump na Casa Branca. Durante a visita, o parlamentar voltou a criticar decisões do Judiciário brasileiro e reforçou pedidos relacionados ao enquadramento de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas pelos EUA.

Na ocasião, o pré-candidato criticou a liberdade de expressão no Brasil e reforçou seu pedido ao presidente norte-americano para que incluísse facções brasileiras na lista de grupos terroristas investigados pelos EUA — pedido atendido em anúncio do governo Trump dois dias depois.

O primeiro tarifaço imposto ao Brasil também ocorreu após uma visita do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) ao presidente norte-americano, que por sua vez tentou interferir no Judiciário brasileiro e amenizar ou livrar da pena o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos de reclusão pela trama golpista.

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