A Polícia Federal cumpre mandados de busca e apreensão em endereços envolvendo oito empresários que defenderam um golpe de Estado em um grupo de WhatsApp. A determinação partiu do ministro Alexandre de Moraes, atual presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). As informações são da jornalista Camila Bomfim, da GloboNews.

Foto: Reprodução (Print de transmissão do YouTube)
Segundo a apuração, os empresários Afrânio Barreira Filho, dono Coco Bambu, Ivan Wrobel, da construtora W3 Engenharia , José Isaac Peres, proprietário da rede de shoppings Multiplan, José Koury, do Barra World Shopping (RJ), Luciano Hang, dono da Havan, Luiz André Tissot, dos restaurantes Madero, Marco Aurélio Raymundo, dono da Mormaii, e Meyer Joseph Nigri, CEO da Tecnisa, são alvos da ação.
A PF cumpre os mandados em endereços em São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Ceará.
Entenda o caso:
Os empresários que a apoiam a reeleição de Jair Bolsonaro (PL) estariam discutindo abertamente o apoio a um golpe de Estado caso o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vença as eleições este ano. As conversas sobre o assunto, reveladas coluna de Guilherme Amado, do Metrópoles, ocorreram em um grupo de WhatsApp que reúne empresários de diversos setores.
Segundo a coluna, em uma troca de mensagens no dia 31 de julho, o empresário José Koury defendeu explicitamente uma ruptura na democracia do País: "Prefiro golpe do que a volta do PT. Um milhão de vezes. E com certeza ninguém vai deixar de fazer negócios com o Brasil. Como fazem com várias ditaduras pelo mundo”, afirmou, deixando implícito que não se importaria que o Brasil virasse uma ditadura novamente.
A mensagem recebeu apoio de parte dos integrantes do grupo, como o de Morongo, alcunha do dono da rede de lojas de surfe Mormaii. “Golpe foi soltar o presidiário! Golpe é o ‘supremo’ agir fora da constituição! Golpe é a velha mídia só falar m*rd*”.
Morongo também citou uma suposta estratégia de intimidação marcada para os atos de 7 de Setembro. "Está sendo programado para unir o povo e o Exército e ao mesmo tempo deixar claro de que lado o Exército está. Estratégia top e o palco será o Rio. A cidade ícone brasileira no exterior. Vai deixar muito claro”, escreveu.
No mesmo dia, André Tissot, do Grupo Sierra, endossou a opinião sobre o golpe e disse que a ruptura já deveria ter ocorrido antes: “O golpe teria que ter acontecido nos primeiros dias de governo. [Em] 2019 teríamos ganhado outros 10 anos a mais”.
Após a reportagem, Luciano Hang se defendeu e afirmou nunca ter se posicionado contra o Estado de Direito e disponibilizou um áudio, onde conversa com o colunista, autor da matéria, em que ambos acordam que o empresário não participou das falas supostamente ‘golpistas’:
Ouça o áudio:
Por texto a imprensa Hang também se defendeu contra o que chamou de narrativa:
“Sigo tranquilo, pois estou ao lado da verdade e com a consciência limpa. Desde que me tornei ativista político prego a democracia e a liberdade de pensamento e expressão, para que tenhamos um país mais justo e livre para todos os brasileiros.
Eu faço parte de um grupo de 250 empresários, de diversas correntes políticas, e cada um tem o seu ponto de vista. Que eu saiba, no Brasil, ainda não existe crime de pensamento e opinião. Em minhas mensagens em um grupo fechado de WhatsApp está claro que eu NUNCA, em momento algum falei sobre Golpe ou sobre STF. Eu fui vítima da irresponsabilidade de um jornalismo raso, leviano e militante, que infelizmente está em parte das redações pelo Brasil."








