Coincidentemente, ou não, após reuniões com Flávio Bolsonaro, o governo norte-americano aponta problemas na relação comercial com o Brasil e abre consulta pública antes de decidir sobre a medida

Os Estados Unidos recomendaram uma tarifa sobre produtos brasileiros após concluírem uma investigação comercial contra o Brasil. A proposta do órgão foi anunciada nesta segunda-feira (1º) pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.
Em sua justificativa, o órgão aponta supostas políticas e práticas adotadas pelo governo brasileiro que estariam prejudicando empresas e exportadores americanos. Com o fim da investigação, os EUA abriram uma consulta pública antes de decidir se a medida será colocada em prática.
A proposta prevê uma taxa de 25% sobre produtos brasileiros vendidos ao mercado norte-americano.
A investigação foi aberta em julho de 2025 por determinação do presidente Donald Trump para justificar o tarifaço daquela época, articulado pela família Bolsonaro como uma ferramenta coercitiva contra a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro no julgamento da tentativa de golpe de estado, que culminou nos atos de 08 de janeiro de 2023, e a decisão veio coincidentemente, ou não, após reuniões de Flávio Bolsonaro com o mandatário estadunidense.
Segundo o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, o diálogo com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva continua, mas ainda existem divergências em temas considerados importantes.
Produtos que ficaram fora da taxação
O documento divulgado pelo governo americano prevê exceções para itens considerados estratégicos para a economia dos Estados Unidos. Entre eles estão:
- carne bovina;
- café;
- frutas tropicais;
- petróleo;
- minérios;
- terras raras;
- fertilizantes;
- medicamentos;
- aeronaves;
- peças de aviões.
A lista também inclui alguns produtos agrícolas específicos, além de materiais informativos e doações.
Pix e comercio brasileiro com outros países na mira
Entre os principais pontos criticados pelos EUA estão decisões judiciais envolvendo plataformas digitais, o funcionamento do Pix , acordos comerciais firmados pelo Brasil com México e Índia, combate ao desmatamento ilegal, acesso ao mercado de etanol e questões relacionadas à propriedade intelectual.
No caso do Pix, os americanos alegam que o Banco Central favorece o sistema de pagamentos brasileiro em relação a empresas estrangeiras do setor a Visa e o Mastercard.
O documento também afirma que o Brasil demora para analisar pedidos de patentes, tem falhas no combate à pirataria e à falsificação de produtos e não adota medidas suficientes para combater a corrupção.








