A Serra Verde é responsável pela mina de Pela Ema, em Minaçu, no norte de Goiás, considerada um ativo estratégico global

A empresa norte-americana USA Rare Earth anunciou nesta segunda-feira (20) a aquisição da mineradora brasileira Serra Verde Group, em um acordo avaliado em cerca de US$ 2,8 bilhões, aproximadamente R$ 14 bilhões. A Serra Verde é responsável pela mina de Pela Ema, em Minaçu, no norte de Goiás, considerada um ativo estratégico global.
A operação ocorre em meio ao movimento estratégico dos Estados Unidos para reduzir sua dependência da China no fornecimento de minerais raros, considerados essenciais para a indústria de alta tecnologia e defesa. A planta goiana é atualmente a única fora da Ásia capaz de produzir, em larga escala, os quatro principais elementos de terras raras magnéticas, fundamentais para a fabricação de ímãs utilizados em veículos elétricos, turbinas eólicas e equipamentos militares.
Negócio bilionário e estrutura de transação
De acordo com comunicado oficial, a aquisição será realizada por meio de um pagamento combinado de US$ 300 milhões em dinheiro e a emissão de cerca de 126,8 milhões de novas ações da USA Rare Earth para os acionistas da Serra Verde.
A fusão deve criar uma das principais empresas globais do setor, com atuação integrada que vai desde a mineração e processamento dos minerais até a produção de metais e ímãs de alto desempenho.
Disputa geopolítica impulsiona acordo
O negócio ganha relevância no cenário de disputa internacional por autonomia na exploração de terras raras. Atualmente, a China domina a produção e o refino desses minerais estratégicos.
Segundo a USA Rare Earth, a Serra Verde deve responder por mais de 50% da oferta de terras raras pesadas fora da China até 2027, o que amplia o peso do Brasil, especialmente de Goiás, nesse mercado.
Financiamento e apoio dos EUA
A negociação ocorre após uma série de aportes estratégicos. Em janeiro, a USA Rare Earth firmou um pacote de financiamento de US$ 1,6 bilhão junto ao governo dos Estados Unidos. Já a Serra Verde garantiu US$ 565 milhões em investimentos de Washington em fevereiro.
Apesar de já firmado como acordo definitivo, o negócio ainda depende de aprovações regulatórias e do cumprimento de condições legais para ser concluído. A expectativa é que a operação seja finalizada no terceiro trimestre de 2026. Até lá, as empresas seguem com o planejamento de integração das operações.
Com a fusão, executivos da Serra Verde devem assumir posições estratégicas na nova estrutura. O atual CEO, Thras Moraitis, será presidente da companhia combinada e membro do conselho de administração. Já Mick Davis, presidente do conselho da mineradora brasileira, também passará a integrar o conselho da empresa norte-americana.








