A jornalista, âncora do Roda Viva da TV Cultura, Vera Magalhães, foi hostilizada nesta quarta-feira (14) pelo deputado estadual bolsonarista Douglas Garcia (Republicanos-SP), após o debate da TV Cultura entre candidatos ao governo de São Paulo.

Foto: Reprodução de redes sociais
“Este senhor é deputado estadual bolsonarista em São Paulo. Se chama Douglas Garcia. Veio me xingar, me agredir, enquanto eu estava sentada no debate. É assim que essas pessoas tratam a imprensa”, declarou Vera.
De acordo com os vídeos publicados nas redes sociais de ambos, Garcia vai até a jornalista e questiona: “Vera, você assinou um contrato de meio milhão de reais para falar mal do presidente da República?” O valor se refere ao seu contrato anual com a Cultura. Após isso, ela chama a segurança e ele repete Bolsonaro durante o debate presidencial na Band e profere ofensas, afirmando que ela é uma “vergonha” para a profissão.
“Você é deputado e veio para fazer essa palhaçada?”, pergunta Vera posteriormente. “Eu tenho vergonha na cara, o contrato é de R$ 200 mil, eu publiquei e você sabe”, continua ela.
O bate-boca permaneceu, até que o diretor de jornalismo da TV Cultura e âncora do debate, Leão Serva, toma o celular de Garcia e o arremessa.
Procurado pela imprensa, o deputado expôs que fez “um questionamento válido à Vera Magalhães sobre o contrato com a TV Cultura e sobre as críticas costumeiras tecidas por ela ao Presidente da República”.
“A jornalista reagiu com agressividade, tocou em seu rosto e chamou os seguranças para retirá-lo. Um dos seus amigos jornalistas agrediu o Deputado, tomando o celular de sua mão, jogando ao chão e o xingando de 'filho da p***'”, alega Garcia.
Em um vídeo publicado pelo Portal UOL, o também âncora e diretor de jornalismo da TV Cultura, Leão Serva, explicou sua reação como um ato extremo para afastar o agressor. Ainda de acordo com Serva, o deputado Bolsonarista já vem praticando atos de perseguição contra Vera Magalhães a cerca de dois anos.
Já a jornalista, em manifestação sobre o ocorrido, alega que desde o último debate presidencial na Rede Bandeirantes, em 28 de agosto, quando Jair Bolsonaro também a hostilizou, está “sofrendo ataques violentos e virulentos de uma base bolsonarista autorizada pelo Presidente da República, porque ele me atacou e essa base se sente autorizada a repetir os ataques.”
“Eu vou registrar um boletim de ocorrência contra um deputado que usou um convite para um debate, um convite que ele recebeu do staff do candidato Tarcísio Freitas, ele usou isso para me acossar, para me ameaçar, para me filmar, para achar que iria me intimidar, para me xingar quando eu estava sentada exercendo a minha profissão, isso não é aceitável, isso é inadmissível, isso não configura democracia”, explica Vera Magalhães.
Garcia era convidado do ex-ministro da Infraestrutura e candidato ao governo paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos). Também pelas redes sociais, ele publicou uma mensagem dizendo lamentar “profundamente e repudio veementemente a agressão sofrida pela jornalista Vera Magalhães enquanto exercia sua função de jornalista durante o debate de hoje.”
“Essa é uma atitude incompatível com a democracia e não condiz com o que defendemos em relação ao trabalho da imprensa”, finalizou Tarcísio.
O candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, expressou “repúdio total ao ataque covarde sofrido pela jornalista Vera Magalhães pelo deputado Douglas Garcia em uma clara tentativa de ataque à liberdade de imprensa, método bolsonarista de intimidação contra a democracia.”
O atual governador e candidato à reeleição pelo PSDB, Rodrigo Garcia, foi na mesma linha. “Meu total repúdio ao ataque covarde que a jornalista Vera Magalhães sofreu, após o debate da TV Cultura, vindo de um sujeito que não representa os valores democráticos nem o povo de São Paulo. Minha solidariedade a você, Vera.”








