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Bolsonaro não quer Michelle em cargo Executivo, diz Valdemar Costa Neto; “de vice ela até poderia”

Presidente nacional do PL diz que ex-presidente defende que a ex-primeira-dama adquira experiência política antes de disputa por Executivo

Valdemar da Costa Neto, presidente nacional do PL, em entrevista ao Estúdio i da Globo News

O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou nesta terça-feira (14), que o ex-presidente Jair Bolsonaro não quer Michelle Bolsonaro em cargo no Executivo neste momento. Segundo ele, Bolsonaro considera que a ex-primeira-dama deve primeiro conquistar um mandato parlamentar e ganhar experiência na vida pública antes de disputar uma para governadora, prefeita ou presidente.

Valdemar defendeu o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como candidato do partido à Presidência e afirmou que a legenda acredita no potencial dele para vencer as eleições. A declaração foi dada durante entrevista ao programa Estúdio i, da GloboNews. Na sequência, questionado sobre a possibilidade de Michelle substituir Flávio na disputa presidencial, o presidente nacional do PL negou esse cenário.

"Não, o Bolsonaro não quer a Michele em cargo executivo até ela ter um mandato para adquirir mais experiência, ele me falou isso no passado", afirmou. Segundo Valdemar, ele chegou a defender que Michelle poderia disputar um cargo executivo devido ao prestígio que teria em Brasília. O dirigente partidário disse que, na ocasião, sugeriu que ela poderia ser candidata a governadora, mas ouviu do ex-presidente que seria necessário um caminho diferente.

"Eu falei para o Bolsonaro assim: 'Bolsonaro, você sabe que a Michele tem muito prestígio em Brasília? Ela pode ser governadora de estado na próxima eleição'. Isso há três anos, quatro anos atrás. Ele falou: 'Não, ela tem que primeiro passar por um mandato, adquirir experiência, conhecer mais a área pública. E aí sim ela tem condições de ser candidata a um cargo executivo'", relatou.

Michelle como possível vice e impasse no PL

Durante a entrevista, Valdemar Costa Neto também comentou a possibilidade de Michelle Bolsonaro integrar uma chapa como candidata a vice-presidente, caso o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), fosse escolhido pelo partido para disputar a Presidência. De acordo com o presidente do PL, a composição chegou a ser considerada uma “chapa ideal”, mas Bolsonaro decidiu apoiar o filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

"De vice, ela até poderia sair, na minha opinião, não sei na opinião do Bolsonaro", afirmou Valdemar. O dirigente partidário disse que o ex-presidente avaliou que Flávio teria melhores condições de representar a família na disputa. "E aí o Bolsonaro entendeu que tinha que ser o Flávio, ele achou que o Flávio tinha melhores condições, que podia representar melhor a família dele", acrescentou.

O presidente do PL também afirmou que a legenda precisa encontrar uma forma de reaproximar Michelle Bolsonaro da campanha de Flávio. Segundo Valdemar, a ex-primeira-dama ficou incomodada com episódios recentes envolvendo o partido e se afastou da sigla.

"Nós temos que fazer um ajuste. Eu tenho esperança de conseguir fazer esse ajuste. Na minha opinião, nós temos que ter a Michelle do nosso lado. Ela se indispôs com a gente, ficou muito chateada com o partido e por causa do Ceará", afirmou.

A declaração faz referência aos atritos envolvendo o apoio do PL a articulações políticas no Ceará, especialmente com Ciro Gomes. Na ocasião, Michelle criticou alianças que considerou contrárias aos valores do grupo e afirmou que não iria "trocar valores por pragmatismo político oportunista". A postura gerou divergências internas no partido e entre integrantes da família Bolsonaro.

Questionado sobre como seria esse entendimento, Valdemar afirmou que o partido precisa conversar com Michelle. Ele também destacou a importância da ex-primeira-dama para a estratégia eleitoral da legenda e disse que a presença dela é necessária na campanha.

Carta de Bolsonaro e críticas a Paulo Figueiredo

O presidente nacional do PL também foi questionado sobre a carta escrita por Jair Bolsonaro e lida por Flávio Bolsonaro, interpretada por aliados como um recado para Michelle após o ex-presidente afirmar que era necessário deixar as desavenças de lado. Valdemar negou que a mensagem tivesse sido direcionada especificamente à ex-primeira-dama e afirmou que o conteúdo também fazia referência ao próprio Flávio. “É pro Flávio também, porque ele também é culpado”, afirmou Valdemar.

Na avaliação do dirigente partidário, Flávio precisa buscar uma aproximação com a madrasta para evitar novos desgastes dentro do grupo. "Ele tem que ter uma boa relação, ele tem que procurar a Michele, tem que acertar a vida com ela, porque senão o Bolsonaro vai ficar preso mais 10 anos", disse.

Valdemar ainda criticou declarações do empresário Paulo Figueiredo, aliado de Flávio Bolsonaro, que afirmou que mulheres “votam mal”, “principalmente as solteiras”. Para o presidente do PL, o empresário não tem conhecimento sobre a estratégia política do partido.

"O Paulo Figueiredo não entende nada. Esse aí só dá palpite na vida dos outros, só palpite errado. É uma pena ver gente se metendo na campanha, se intrometendo só para atrapalhar a gente", afirmou.

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