A mobilização corre contra o tempo, já que a medida provisória perde a validade nesta quinta-feira (16). O objetivo da categoria é pressionar o presidente do senado, David Alcolumbre (UB), para que o texto seja colocado em votação já nesta terça-feira (14)

Caminhoneiros de várias regiões do país iniciaram uma paralisação geral à 0h desta segunda-feira (13). O movimento é uma resposta direta à decisão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (Republicanos-AP), de travar a pauta de votação da Medida Provisória 1.343, conhecida como a MP do Frete, que altera as regras do piso do frete para o transporte rodoviário de cargas.
A mobilização corre contra o tempo, já que a medida provisória perde a validade nesta quinta-feira (16). O objetivo da categoria é pressionar Alcolumbre para que o texto seja colocado em votação já nesta terça-feira (14).
Convocado por líderes de diversos sindicatos e associações de motoristas autônomos, o movimento é apontado como uma reação da própria base. Wallace Landim, conhecido como Chorão e presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), criticou duramente a postura da presidência do Senado.
“Há semanas a gente vem lutando para que o Senado coloque o texto da MP em votação e até agora não aconteceu, por isso a categoria deliberou que faríamos essa paralisação. Essa paralisação não é feita por decisão do sindicalista A ou B. Quem causou essa paralisação foi o Alcolumbre.”
A MP 1.343 traz pontos considerados cruciais para a sobrevivência financeira e operacional dos motoristas. Entre as principais medidas do texto estão:
- Definição e garantia do custo mínimo do frete;
- Autonomia para a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) realizar fiscalizações;
- Isenção de multas aplicadas à categoria no ano de 2022;
- Fim das cobranças e multas de entre-eixos;
- Criação de um salário-base de R$ 5 mil para motoristas contratados via CLT.
Porto de Santos Parado e impactos
A greve, que tem caráter geral e não se limita apenas aos terminais portuários, já atinge pontos estratégicos da economia nacional. O Porto de Santos, maior complexo portuário da América Latina, amanheceu parado nesta segunda-feira. Por se tratar de um setor vital para o escoamento de mercadorias, esse tipo de paralisação costuma gerar reflexos rápidos no abastecimento e na distribuição de produtos pelo país.
Em vídeo gravado no início da madrugada, Luciano Santos, presidente do Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens da Baixada Santista e Vale do Ribeira (Sindicam-Santos), mandou um recado direto ao Congresso:
"Porto de Santos está parado, como foi pedido pela categoria. Alcolumbre, coloque essa pauta para votação senão essa responsabilidade será 100% sua."
Carlos Alberto Litti Dahmer, diretor da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL), reforçou que o plano é manter os braços cruzados por tempo indeterminado: “O objetivo é continuarmos parados até que Alcolumbre coloque a MP em votação”.
Apesar do braço de ferro, lideranças da categoria informaram que já receberam sinalizações de que o presidente do Senado pode recuar e incluir o texto na pauta desta semana. "Esperamos que isso aconteça", concluiu Chorão.







