A chamada “5ª Marcha Federal Universitária” foi originalmente convocada pelo Conselho Interuniversitário Nacional para exigir a recomposição do financiamento público do ensino superior, negado pelo presidente Javier Milei, mas acabou somando diversos setores da sociedade civil, incluindo aposentados e trabalhadores com salários defasados pela política direitista de não reajuste

Professores, estudantes e instituições exigem a aplicação da Lei de Financiamento Universitário, aprovada pelo Congresso em agosto de 2025, que determina que o governo de Javier Milei recomponha salários e orçamentos do ensino de acordo com a inflação. No entanto, o governo do direitista, Javier Milei, usa uma série de artifícios políticos para não cumprir a lei, alegando que isso afetaria a sua política de superávit fiscal.
As principais reivindicações universitárias são um reajuste salarial dos docentes, para reverter perdas de 33,4%, um aumento do orçamento destinado às universidades, que sofreu um corte de 47,7%, e um aumento das bolsas de ensino, que estão 20% menores. Todas essas perdas estão acumuladas desde que Milei assumiu o governo argentino, em dezembro de 2023.
Advertência contra Flávio Bolsonaro
Há cerca de 15 mil estudantes universitários brasileiros na Argentina. A maioria adverte contra os efeitos do desfinanciamento promovido pela política direitista de Milei, que pretende ser copiada no Brasil por Flávio Bolsonaro, caso seja eleito presidente.
A estudante de Medicina brasileira Letícia Lopes, da Universidade de Buenos Aires, expôs essa preocupação à RFI.
“Nós estamos articulando a presença de estudantes brasileiros, especialmente na área da Saúde, para somar forças à mobilização em defesa da universidade pública. Muitos de nós que estudamos aqui vivenciamos diretamente as consequências do desfinanciamento das universidades. Sentimos as consequências dos ajustes do governo Milei e estamos acompanhando com muita preocupação esse debate no Brasil”, explica Letícia, uma referência estudantil entre os brasileiros.
No primeiro turno, em Buenos Aires, o maior colégio eleitoral brasileiro da América Latina, fora do Brasil, deu vitória a Lula, com 66,1% dos votos. Um dos fatores que explicam o resultado de mais de dois terços do eleitorado para o petista é a experiência dos brasileiros com as consequências sociais e econômicas do modelo Milei.
“Aqui nós estamos vendo as consequências do ajuste fiscal e do desfinanciamento das universidades: salários baixos, dificuldade para manter as atividades acadêmicas e os impactos na pesquisa científica. No Brasil, as propostas de ajuste fiscal que vêm sendo discutidas pela equipe de Flávio Bolsonaro, incluindo as possíveis mudanças no financiamento da Educação e da Saúde, nos despertam preocupações parecidas”, aponta Letícia à RFI.
“Defender a universidade pública é defender o direito ao conhecimento, à Ciência e a uma formação de qualidade, tanto na Argentina quanto no Brasil. Portanto, a defesa da Educação pública argentina também é uma luta nossa”, conclui.








