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Argentinos que protestam contra cortes de Milei na educação advertem eleitores no Brasil

A chamada “5ª Marcha Federal Universitária” foi originalmente convocada pelo Conselho Interuniversitário Nacional para exigir a recomposição do financiamento público do ensino superior, negado pelo presidente Javier Milei, mas acabou somando diversos setores da sociedade civil, incluindo aposentados e trabalhadores com salários defasados pela política direitista de não reajuste

Manifestantes se protegem contra disparos da polícia argentina com escudos improvisados durante protesto contra os cortes do governo Milei no financiamento do ensino público superior / Foto: Reprodução (Pedro Lazaro Fernandez-g1)

Professores, estudantes e instituições exigem a aplicação da Lei de Financiamento Universitário, aprovada pelo Congresso em agosto de 2025, que determina que o governo de Javier Milei recomponha salários e orçamentos do ensino de acordo com a inflação. No entanto, o governo do direitista, Javier Milei, usa uma série de artifícios políticos para não cumprir a lei, alegando que isso afetaria a sua política de superávit fiscal.

As principais reivindicações universitárias são um reajuste salarial dos docentes, para reverter perdas de 33,4%, um aumento do orçamento destinado às universidades, que sofreu um corte de 47,7%, e um aumento das bolsas de ensino, que estão 20% menores. Todas essas perdas estão acumuladas desde que Milei assumiu o governo argentino, em dezembro de 2023.

Advertência contra Flávio Bolsonaro

Há cerca de 15 mil estudantes universitários brasileiros na Argentina. A maioria adverte contra os efeitos do desfinanciamento promovido pela política direitista de Milei, que pretende ser copiada no Brasil por Flávio Bolsonaro, caso seja eleito presidente.

A estudante de Medicina brasileira Letícia Lopes, da Universidade de Buenos Aires, expôs essa preocupação à RFI.

“Nós estamos articulando a presença de estudantes brasileiros, especialmente na área da Saúde, para somar forças à mobilização em defesa da universidade pública. Muitos de nós que estudamos aqui vivenciamos diretamente as consequências do desfinanciamento das universidades. Sentimos as consequências dos ajustes do governo Milei e estamos acompanhando com muita preocupação esse debate no Brasil”, explica Letícia, uma referência estudantil entre os brasileiros.

No primeiro turno, em Buenos Aires, o maior colégio eleitoral brasileiro da América Latina, fora do Brasil, deu vitória a Lula, com 66,1% dos votos. Um dos fatores que explicam o resultado de mais de dois terços do eleitorado para o petista é a experiência dos brasileiros com as consequências sociais e econômicas do modelo Milei.

“Aqui nós estamos vendo as consequências do ajuste fiscal e do desfinanciamento das universidades: salários baixos, dificuldade para manter as atividades acadêmicas e os impactos na pesquisa científica. No Brasil, as propostas de ajuste fiscal que vêm sendo discutidas pela equipe de Flávio Bolsonaro, incluindo as possíveis mudanças no financiamento da Educação e da Saúde, nos despertam preocupações parecidas”, aponta Letícia à RFI.

“Defender a universidade pública é defender o direito ao conhecimento, à Ciência e a uma formação de qualidade, tanto na Argentina quanto no Brasil. Portanto, a defesa da Educação pública argentina também é uma luta nossa”, conclui.

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