Os favoritos saíram perdendo, tiveram muitas dificuldades de passar pelo goleiro Mpasi, mas contaram com o seu craque para avançar as oitavas de final

A Inglaterra sofreu, mas venceu de virada o Congo por 2 a 1, pelas 16 avos de final da Copa do Mundo, na tarde desta quarta-feira (1), na Arena Mercedes-Benz, em Atlanta, nos Estados Unidos, pelas 16 avos de final da Copa do Mundo.
Depois de segurar Portugal, de Cristiano Ronaldo, na fase de grupos, o Congo contrariou as expectativas de quem esperava uma seleção disposta a ser controlada desde o princípio da partida. Até encontrar o gol, os congoleses apareceram com coragem para jogar e, depois, com uma partida gigantesca do goleiro Mpasi, suportaram toda a ofensiva desesperada dos ingleses durante a primeira etapa.
No segundo tempo, a Inglaterra imprimiu a pressão que já era esperada pelo desespero da eliminação e contou com a genialidade de Harry Kane, que, mesmo desaparecido na primeira etapa, mostrou o craque que é e apareceu na hora de decidir.
O jogo
A seleção do Congo começou com a bola, já passando um recado de que veio para o campo disposta a jogar bola e não só se defender. A coragem quase passou um pouco do limite no primeiro lance de perigo do jogo, quando a Inglaterra subiu a marcação em cima do goleiro Mpasi, que, por muito pouco, não foi desarmado.
O susto não fez os congoleses darem um passo atrás, e a coragem do time foi premiada já aos seis minutos, com o gol de Cipenga, que abriu o placar. No lance, a bola cruzada sobrou para o camisa 9, que ainda teve tempo de dominar dentro da área antes de estufar as redes.
O placar, de certa forma inesperado, fez a Inglaterra tentar aumentar um pouco o seu ritmo no jogo, mas com muita dificuldade. A impressão é que, mesmo sem a posse da bola, o Congo se sentia confortável com a maneira como o jogo estava se desenhando.
Até a pausa para hidratação, os ingleses, com pouquíssima criatividade, não conseguiram criar perigo. Por outro lado, a impressão que se tinha, quando o Congo recuperava a bola, é que o desespero inglês começava a abrir espaços para o encaixe de um contra-ataque.
A primeira vez que a Inglaterra conseguiu assustar o Congo de fato após sofrer o gol foi quase sem querer, aos 28 minutos. Na cobrança de falta próxima da área, pelo lado direito do campo, Konsa subiu meio desajeitado e, quase contando com a sorte, tomou uma bolada na canela que passou bem perto de entrar.
Logo no lance seguinte, Mpasi salvou o Congo com uma defesaça. Após a tentativa anterior, os ingleses pressionaram a saída de bola e conseguiram roubá-la. Foi aí que Rice cruzou, Bellingham pegou muito bem de cabeça, colocou no endereço certo, mas parou na ação espetacular do goleiro.
A Inglaterra, que passou do gol sofrido até a parada para hidratação sem muita inspiração e até meio desnorteada com a desvantagem, cresceu no jogo.
Aos 34 minutos, foi a vez de Wan-Bissaka aparecer como herói, depois de Rashford vencer Mpasi. No lance, em mais uma bola aérea cruzada pelo lado direito, Rashford apareceu bem, testou forte para o chão, sem chance para a chegada do goleiro, mas o lateral congolês, em cima da linha, conseguiu fechar as pernas e bloquear o chute.
Depois de um tempo suportando o ímpeto do desespero inglês, o Congo voltou a aparecer no campo de ataque, tentando ficar com a bola e, depois de um respiro, por muito pouco não ampliou o placar. Wan-Bissaka, que minutos antes foi herói na defesa, desta vez chegou ao ataque e acertou o cruzamento para Wissa, que colocou a bola na trave.
Mas antes de acabar o primeiro tempo, foi a Inglaterra que quase chegou ao empate por duas vezes nos acréscimos. Só não conseguiu, mais uma vez, por conta da gigantesca partida do goleiro Mpasi. Primeiro, de novo chegando pelo lado direito, Madueke achou Bellingham pelo alto que, de cabeça, parou no paredão congolês, que jogou para escanteio. Na cobrança, e Harry Kane, pouco participativo no jogo até então, recebeu, bateu forte para estufar a rede, mas Mpasi apareceu de novo de maneira espetacular, dando números finais à primeira etapa.
Os primeiros minutos do segundo tempo foram dentro do roteiro que já era de se esperar. Com a necessidade urgente do resultado para sobreviver na Copa, a Inglaterra foi com tudo e montou uma blitz à frente da área do Congo.
A primeira grande chance da segunda etapa até fez parte da arquibancada comemorar o “gol”. Rashford invadiu a área e finalizou na rede, só que pelo lado de fora. Por alguns segundos, parte do estádio viu a bola lá dentro.
Aos sete minutos, foi a vez dele de novo. Mpasi salvou o Congo com duas defesas em sequência, parando Jude Bellingham, o jogador inglês que mais vezes tentou até então.
Depois de um início forte, o Congo se arrumou, e a Inglaterra passou a ter mais dificuldades para encontrar espaços.
Quando o espaço some, é hora do craque aparecer. Apagado no jogo, com apenas uma oportunidade durante toda a pressão inglesa, Harry Kane mostrou quem é na hora certa. Após bola cruzada na área, a defesa do Congo se desajustou na marcação. Gordon conseguiu dominar sozinho pelo lado esquerdo e, pelo alto, passou para Kane, que conseguiu se movimentar para desgrudar do zagueiro e empurrar a bola do empate para a rede.
O gol pareceu tirar um peso enorme das costas dos ingleses, que, com menos ansiedade, trabalharam melhor a bola e passaram a jogar menos bolas de qualquer jeito na área.








