Ministro do STF aponta risco de fuga do ex-presidente, que cumpre prisão domiciliar desde 4 de agosto

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou, nesta terça-feira (26,) monitoramento em tempo integral das medidas cautelares impostas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) que a Polícia Penal do Distrito Federal.
Bolsonaro cumpre prisão domiciliar em Brasília, desde 4 de agosto, com tornozeleira eletrônica.
Para o ministro, há risco de fuga, principalmente pela atuação do seu filho Eduardo Bolsonaro, deputado federal que está nos Estados Unidos tentando influenciar as autoridades daquele país para reverter o processo que corre contra o pai no Judiciário brasileiro.
Ele também cita a proximidade do julgamento do processo em que Jair Bolsonaro é réu por tentativa de golpe de Estado.
"A atuação delitiva de Eduardo Nantes Bolsonaro para interferir diretamente no curso da AP 2.668/DF [ação penal que investiga a suposta tentativa de golpe] com o objetivo de evitar qualquer pronunciamento judicial definitivo por este Supremo Tribunal Federal com relação ao seu pai, Jair Messias Bolsonaro, se intensifica com a possibilidade de conclusão do julgamento", diz Moraes, no despacho.
O julgamento em que Bolsonaro é réu está marcado para começar em 2 de setembro.
O pedido do parecer se deu com base em relatório da Polícia Federal que apontava risco de fuga de Bolsonaro para a Embaixada dos Estados Unidos, localizada a quarteirões de sua residência.
Vigilância Integral
De acordo com a decisão de Moraes desta terça, equipes devem realizar vigilância em tempo real do endereço residencial de Bolsonaro.
O ministro destacou que o monitoramento deve ser feito de forma discreta.
"O monitoramento realizado pelas equipes da Polícia Penal do Distrito Federal deverá evitar a exposição indevida, abstendo-se de toda e qualquer indiscrição, inclusive midiática, sem adoção de medidas intrusivas da esfera domiciliar do réu ou perturbadoras da vizinhança; ficando ao seu critério a utilização ou não de uniforme e respectivos armamentos necessários à execução da ordem ", conclui.
O ministro também determinou que os advogados de Bolsonaro sejam intimados da decisão e que a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal seja oficiada para as providências cabíveis.