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Filha confirma que Olavo de Carvalho morreu pela Covid-19: ‘Deus perdoe ele de todas as maldades’

O ideólogo da direita brasileira, escritor, e uma espécie de “guru” do bolsonarismo, Olavo de Carvalho morreu na noite segunda-feira (24/01) aos 74 anos vítima da Covid-19, segundo informou sua filha Heloisa de Carvalho Matin Arribas.

Olavo de Carvalho, guru do bolsonarismo morre em decorrência de complicações da Covid-19 aos 74 anos
Foto: Reprodução (Diário do Nordeste)

Hospitalizado na região de Richmond, na Virgínia (EUA), Olavo de Carvalho havia confirmado no dia 15 de janeiro, em publicação no Telegram, que tinha contraído a doença.

Segundo Heloisa, o ideólogo não acreditava que mortes ocorriam por conta da doença, "No dia q o Olavo postou q não tinha 1 morte por covid,perdi uma querida amiga,q era viúva e deixou 3 crianças c/ menos de 10 anos órfãs", postou ela no Twitter e completou:

"Não tem como eu sentir grande tristeza pela morte dele, mas também não estou feliz. Sendo sincera comigo e meus sentimentos." 

A filha de Olavo de Carvalho desejou que o pai fosse perdoado pelas maldades que tivesse cometido:

"Que Deus perdoe ele de todas as maldades q cometeu."

Na sequência de postagens sobre a morte do pai, Heloisa o acusou de não ter dispensado a empregada da casa quando foi diagnosticado com a doença, a mulher teria contraído a Covid-19 e se demitido em seguida:

"Os patrões negacionistas não quiseram afastá-la do trabalho, empregada doméstica, pegava condução e pegou Covid, eu ainda a aconselhei uns 5 dias antes dela pegar covid a se demitir, mas quem iria sustentar as3 crianças", escreveu ela.

Cerca de 12 horas antes da morte do guru bolsonarista, Heloisa ainda comentou que, o pai negacionista não tinha se vacinado contra a Covid-19:

"O olavette @silviogrimaldo confirma para outros olavettes q o Olavão negacionista e antivacinas não tomou vacina tem várias comorbidades está na UTI com complicações do Covid."

.ultimas

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  1. Olavo de Carvalho (1947 – 2022): Morre um pústula
    Por Renato Rovai

    Não comemoro mortes. É algo que assumi como um dogma. A morte envolve muitos sentimentos para além do finado que precisam ser respeitados.

    Já vi gente comemorando a morte de filhos de adversários políticos, de atores e até de jogadores de futebol. Acho que isso revela mais sobre a pessoa do que sobre o morto ou seu familiar que é alvo do ódio.

    Não vou abrir uma champanhe pela morte de Olavo de Carvalho e nem ao menos sair por aí dizendo “bem feito, quem mandou não se vacinar”. Mas ao mesmo tempo não vou deixar de dizer que quem morre é um dos mais tóxicos dos seres humanos que teve algum tipo de destaque no debate público desde a democratização do Brasil em 1985.

    Olavo foi um cancro para a democracia brasileira. Ele, em conjunto com a família Bolsonaro, transformou em herói para uma parcela da população gente como Ustra. Só por isso mereceria todos os repúdios mesmo no dia da sua morte. Mas mais do que isso, incentivou ódio a gays, violência contra pessoas que chamava de globalistas, todo tipo de discriminação e ainda convenceu milhões a lutarem contra a vacina chinesa o que levou dezenas de milhares à morte, inclusive ele.

    Morre um pústula. Essa é a verdade. E reconhecer isso mesmo com o corpo ainda quente é obrigatório, porque sua vida foi dedicada ao ódio e à violência contra grupos sociais. Esconder é de alguma forma invizibilizar essa violência, esse horror que foi por ele incentivado em vida.

    Mesmo morto, Olavo deixa seguidores. E por isso precisará continuar a ser combatido. Sua história de crápula e de alguém deletério aos direitos humanos e ao processo civilizatório tem que ser discutida como algo a ser superado pela sociedade para que pessoas assim não tenham mais tanto espaço para combater a democracia por dentro.

    Olavo provavelmente vai definhar enquanto guru. Mas isso também depende de nós. Os erros dos democratas em não valorizar a cultura e a educação e ao mesmo tempo não diminuir as injustiças sociais é que abrem espaço para gente assim se tornar referência e liderança.

    Olavo morre e é hora de aproveitar a oportunidade para enterrar junto com ele o olavismo e todo o mal que ele representou ao Brasil.

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