Senador participou de audiência pública do governo americano, segundo ele, para tentar impedir a imposição de novas tarifas de 25% contra produtos importados do Brasil, mas teria desperdiçado o oportunidade com intervenções exclusivamente políticas

No setor privado e no mercado financeiro, a participação do senador Flávio Bolsonaro (PL) na audiência pública do governo americano, para tentar impedir a imposição de novas tarifas de 25% dos Estados Unidos contra produtos importados do Brasil, foi considerada inócua, com alguns classificando as intervenções do presidenciável ‘decepcionante’.
Empresários e gestores consultados pelo GLOBO avaliaram que a presença de um senador brasileiro poderia ajudar se ele tivesse levado argumentos econômicos que contrapusessem tecnicamente a taxação pretendida pelo governo estadunidense de Donald Trump, mas não foi o que aconteceu e Flávio surpreendeu até a banca do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) com um tom exclusivamente político ideológico, o que causou desapontamento nos representantes de setores econômicos que acompanharam a audiência.
Na condição de anonimato, empresários que estiveram na audiência avaliaram a participação do presidenciável brasileiro como ‘ruim’, ao ponto de acusa-lo de ter reforçado as argumentação pró taxação com reforço de temas já usado pelos EUA, como corrupção e censura.
Um dos alvos do governo americano, o Pix foi o único tema em que Flávio Bolsonaro não teria se saído tão ruim, usando o argumento que a ferramenta “pública e gratuita” teria ampliado a inclusão financeira de milhões de brasileiros.
“O Pix não é um problema a ser corrigido. É uma solução. Ele ampliou a inclusão financeira ao trazer milhões de brasileiros, especialmente os mais pobres, para a economia formal”, teria dito Flávio.
“Esse avanço também beneficiou diretamente empresas americanas, já que o volume de transações processadas por cartões de pagamento emitidos por bandeiras dos Estados Unidos continuou crescendo paralelamente à ampla adoção do Pix, uma vez que essas empresas prestam serviços que se complementam, e não competem com o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos”, continuou o senador.
De acordo com os empresários, faltou para o presidenciável profundidade na argumentação, por exemplo, com a apresentação de dados, como a evolução da movimentação financeira das bandeiras norte-americanas de cartão de crédito, antes e depois do lançamento do Pix.
Desde o lançamento do Pix, no quarto trimestre de 2020, o volume financeiro movimentado por cartões de crédito no Brasil saltou de R$ 332,9 bilhões para R$ 824,7 bilhões no fim de 2025.
A superficialidade da abordagem de Flávio, segundo esses empresários, teria sido impressa principalmente no uso político do espaço, que, até ali e depois dali, vinha sendo técnico.
O político usou seu tempo na audiência para dizer que o Brasil terá eleições presidenciais em outubro, e que o cenário político estaria diferente em 90 dias.
“Impor agora uma tarifa que seria difícil de reverter, premiando aqueles que são responsáveis pelas ações em questão e punindo aqueles que suportaram suas consequências, seria o pior momento possível para agir”, disse. “Não imponham as tarifas ao Brasil, preservem o sucesso do Pix e cancelem esta medida para que possamos negociar”, teria dito o senador, de acordo com a sua própria assessoria.







