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Daniel e Marconi trocam acusações de corrupção em debate eleitoral pelo governo de Goiás

Emedebista e Tucano elevaram o tom no primeiro encontro com os quatro principais candidatos da eleição pelo governo de Goiás

Daniel Vilela e Marconi Perillo se enfrentam em debate promovido pelo pool formado entre PUC TV, Rádio Difusora e o Diário de Goiás / Foto: Reprodução (Youtube @PUCTV)

No primeiro debate com todos os candidatos ao governo de Goiás, realizado neste domingo (30) pelo pool pela PUC TV, Rádio Difusora e Diário de Goiás, houveram dois confrontos diretos com troca de farpas entre Daniel Vilela e Marconi Perillo, que envolveram acusações de corrupção e o processo de concessão do estádio Serra Dourada.

No primeiro bloco, o tucano teve a oportunidade de confrontar diretamente o governador, mas não o fez. No entanto, ao questionar Wilder Morais (PL), Marconi fez críticas à atual gestão fiscal do Estado ao citar o déficit de quase R$ 5 bilhões em 2025 e disse que o governo patrocina uma “máquina de propaganda nazista”.

No segundo bloco, com os temas sorteados, Marconi escolheu Daniel para responder sobre a concessão do Estádio Serra Dourada e classificou-a como ‘privatização’ e uma ‘vergonha’, prometendo revogá-la. Na resposta, o governador esclareceu que se trata de uma concessão por 30 anos que trará um investimento de R$ 500 milhões numa reforma completa do espaço. “Nós fizemos o leilão na Bolsa de Valores. Ele tem segurança jurídica. É um modelo moderno e nos permite usar estes outros R$ 500 milhões para comprar o hospital que será o novo Hugo”, disse o emedebista.

O tucano afirmou que a resposta do governador foi ‘risível’ e atacou: “seu governo está recheado de crimes contra a administração pública”. Em seguida, Daniel respondeu: “Marconi, você está me medindo pela sua régua. Não respondo a nenhum processo de corrupção depois de 18 anos de vida pública” e ainda afirmou que o adversário estava “nervoso”, o que irritou o tucano.

No terceiro bloco, os dois voltaram a acirrar os ânimos quando Marconi chamou Daniel de leviano e afirmou que o hospital comprado para abrigar o novo Hugo tem ligação com o crime organizado e acusou o governador de corrupção. O emedebista afirmou que o tucano usa “linguajar chulo” e ressaltou: “nunca fui denunciado”.

Em seguida, o emedebista trouxe à tona o fato de Marconi ter recebido R$ 15 milhões do Banco Master, que o candidato alega ter sido uma ‘consultoria’. “O senhor tem que explicar a razão de ter recebido R$ 15 milhões do Daniel Vorcaro”, afirmou. Marconi retrucou: “Você é quem está envolvido com o Master”, disse, antes de alegar que o Estado foi quem contratou o Banco Master para operar consignados para aposentados. Ele ainda lembrou que Daniel foi citado na planilha da Odebrecht: “Você só não foi denunciado porque usou sua influência”, alegou o tucano, que em seguida foi ironizado pelo emedebista: “O senhor tem que decidir se sou fraco ou se sou poderoso. Goiás tem Justiça, tem Ministério Público”, respondeu.

O candidato do PSDB provocou Daniel Vilela dizendo que abriria nas suas redes sociais os sigilos bancários dele próprio, da esposa e da sogra, como forma de lembrar a prisão da sogra do governador, em maio, numa investigação sobre um esquema de migração ilegal para os Estados Unidos.

O clima beligerante entre os dois seguiu até o fim do debate. Depois das considerações finais, Marconi Perillo e Daniel Vilela tiveram, cada um, um direito de resposta. O emedebista cobrou a explicação sobre os valores recebidos do Master pelo tucano, que rebateu: “Fui trabalhar. Não tenho preguiça como determinadas pessoas em Goiás”.

Outros temas

Além das acusações de corrupção, o debate tratou sobretudo de saúde, com reiteradas críticas de Wilder, Luis Cesar Bueno (PT) e Marconi sobre as filas para cirurgias eletivas , e ao quadro fiscal do Estado. O tucano, inclusive, afirmou, sem dar elementos fáticos que baseiam a informação, que o governo vai atrasar folhas de pagamento.

Daniel Vilela também foi questionado, logo de cara, sobre a taxa do agro, que foi revogada este ano, e garantiu que não criará nenhum tributo. Em seguida, disse que as medidas tomadas pelo governo federal dificultaram acesso ao crédito para produtores rurais e prejudicarão o setor.

Na saúde, Wilder reiterou a proposta de criar o SUS Goiano, com uma tabela mais alta que a paga pelo Ministério da Saúde, para agilizar procedimentos eletivos, além de consultas e exames. O governador disse, por sua vez, a nova estrutura do Hugo será capaz de reduzir o tempo de espera por cirurgias de alta complexidade e reforçou que vai trabalhar com a iniciativa privada para atender a demanda.

A Universidade Estadual de Goiás (UEG) também foi tema. Luis Cesar e Marconi se comprometeram a retomar o repasse de 2% da arrecadação líquida para a instituição. Wilder, por sua vez, afirmou que criará cursos a partir da vocação regional e, ainda na educação, falou em investir em cursos técnicos. Daniel valorizou as Escolas do Futuro e prometeu ampliar o acesso ao ensino técnico no estado.

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