Conteúdo original de Rafael Tomazeti / Diário de Goiás
Emedebista e Tucano elevaram o tom no primeiro encontro com os quatro principais candidatos da eleição pelo governo de Goiás

No primeiro debate com todos os candidatos ao governo de Goiás, realizado neste domingo (30) pelo pool pela PUC TV, Rádio Difusora e Diário de Goiás, houveram dois confrontos diretos com troca de farpas entre Daniel Vilela e Marconi Perillo, que envolveram acusações de corrupção e o processo de concessão do estádio Serra Dourada.
No primeiro bloco, o tucano teve a oportunidade de confrontar diretamente o governador, mas não o fez. No entanto, ao questionar Wilder Morais (PL), Marconi fez críticas à atual gestão fiscal do Estado ao citar o déficit de quase R$ 5 bilhões em 2025 e disse que o governo patrocina uma “máquina de propaganda nazista”.
No segundo bloco, com os temas sorteados, Marconi escolheu Daniel para responder sobre a concessão do Estádio Serra Dourada e classificou-a como ‘privatização’ e uma ‘vergonha’, prometendo revogá-la. Na resposta, o governador esclareceu que se trata de uma concessão por 30 anos que trará um investimento de R$ 500 milhões numa reforma completa do espaço. “Nós fizemos o leilão na Bolsa de Valores. Ele tem segurança jurídica. É um modelo moderno e nos permite usar estes outros R$ 500 milhões para comprar o hospital que será o novo Hugo”, disse o emedebista.
O tucano afirmou que a resposta do governador foi ‘risível’ e atacou: “seu governo está recheado de crimes contra a administração pública”. Em seguida, Daniel respondeu: “Marconi, você está me medindo pela sua régua. Não respondo a nenhum processo de corrupção depois de 18 anos de vida pública” e ainda afirmou que o adversário estava “nervoso”, o que irritou o tucano.
No terceiro bloco, os dois voltaram a acirrar os ânimos quando Marconi chamou Daniel de leviano e afirmou que o hospital comprado para abrigar o novo Hugo tem ligação com o crime organizado e acusou o governador de corrupção. O emedebista afirmou que o tucano usa “linguajar chulo” e ressaltou: “nunca fui denunciado”.
Em seguida, o emedebista trouxe à tona o fato de Marconi ter recebido R$ 15 milhões do Banco Master, que o candidato alega ter sido uma ‘consultoria’. “O senhor tem que explicar a razão de ter recebido R$ 15 milhões do Daniel Vorcaro”, afirmou. Marconi retrucou: “Você é quem está envolvido com o Master”, disse, antes de alegar que o Estado foi quem contratou o Banco Master para operar consignados para aposentados. Ele ainda lembrou que Daniel foi citado na planilha da Odebrecht: “Você só não foi denunciado porque usou sua influência”, alegou o tucano, que em seguida foi ironizado pelo emedebista: “O senhor tem que decidir se sou fraco ou se sou poderoso. Goiás tem Justiça, tem Ministério Público”, respondeu.
O candidato do PSDB provocou Daniel Vilela dizendo que abriria nas suas redes sociais os sigilos bancários dele próprio, da esposa e da sogra, como forma de lembrar a prisão da sogra do governador, em maio, numa investigação sobre um esquema de migração ilegal para os Estados Unidos.
O clima beligerante entre os dois seguiu até o fim do debate. Depois das considerações finais, Marconi Perillo e Daniel Vilela tiveram, cada um, um direito de resposta. O emedebista cobrou a explicação sobre os valores recebidos do Master pelo tucano, que rebateu: “Fui trabalhar. Não tenho preguiça como determinadas pessoas em Goiás”.
Outros temas
Além das acusações de corrupção, o debate tratou sobretudo de saúde, com reiteradas críticas de Wilder, Luis Cesar Bueno (PT) e Marconi sobre as filas para cirurgias eletivas , e ao quadro fiscal do Estado. O tucano, inclusive, afirmou, sem dar elementos fáticos que baseiam a informação, que o governo vai atrasar folhas de pagamento.
Daniel Vilela também foi questionado, logo de cara, sobre a taxa do agro, que foi revogada este ano, e garantiu que não criará nenhum tributo. Em seguida, disse que as medidas tomadas pelo governo federal dificultaram acesso ao crédito para produtores rurais e prejudicarão o setor.
Na saúde, Wilder reiterou a proposta de criar o SUS Goiano, com uma tabela mais alta que a paga pelo Ministério da Saúde, para agilizar procedimentos eletivos, além de consultas e exames. O governador disse, por sua vez, a nova estrutura do Hugo será capaz de reduzir o tempo de espera por cirurgias de alta complexidade e reforçou que vai trabalhar com a iniciativa privada para atender a demanda.
A Universidade Estadual de Goiás (UEG) também foi tema. Luis Cesar e Marconi se comprometeram a retomar o repasse de 2% da arrecadação líquida para a instituição. Wilder, por sua vez, afirmou que criará cursos a partir da vocação regional e, ainda na educação, falou em investir em cursos técnicos. Daniel valorizou as Escolas do Futuro e prometeu ampliar o acesso ao ensino técnico no estado.








