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Acordo com Europa pode injetar US$ 208 milhões por ano em Goiás e abrir 24 mil empregos

Estudo da Fieg aponta crescimento de 13% nas exportações goianas para o mercado europeu; carne, soja, minérios e produtos industriais estão entre os setores que podem ganhar força com a redução de impostos

Soja, carne, minérios e produtos industriais estão entre os produtos goianos que podem aumentar a suas exportações com o acordo UE – Mercosul / Foto: Reprodução (Agência Goiás de Notícias)

O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia pode colocar mais US$ 208 milhões por ano na conta das exportações de Goiás e impulsionar a criação de 24,2 mil empregos nos setores exportadores. A estimativa faz parte de um estudo divulgado nesta quinta-feira (29) pela Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), que aponta oportunidades para a economia goiana, mas também alerta para a necessidade de adaptação das empresas às exigências do mercado europeu.

Segundo o levantamento, as vendas de produtos goianos para os países da União Europeia podem crescer 13%, o equivalente a aproximadamente US$ 218 milhões sobre os US$ 1,68 bilhão exportados em 2025. Desse potencial, US$ 208 milhões representam o ganho anual estimado diretamente com a redução das tarifas comerciais.

O acordo provisório entrou em vigor em 1º de maio deste ano e abriu caminho para a formação de um mercado integrado de aproximadamente 720 milhões de consumidores, com Produto Interno Bruto (PIB) estimado em US$ 22 trilhões.

Desde então, a União Europeia eliminou imediatamente as tarifas de cerca de 2,9 mil produtos, principalmente industriais. O Brasil, por sua vez, terá um prazo de 10 a 15 anos para reduzir os impostos cobrados sobre 4,4 mil mercadorias europeias.

Essa diferença nos prazos busca dar mais tempo para que a indústria brasileira se prepare para enfrentar a concorrência internacional.

Carne, soja e minérios lideram os caminhos de oportunidades

Atualmente, quatro grupos de produtos representam aproximadamente 86% das exportações goianas para a União Europeia. O farelo de soja e os alimentos para animais lideram a lista, com US$ 562,2 milhões, seguidos pelos minérios de cobre, com US$ 447,4 milhões.

Na sequência aparecem ferro-gusa e ferro-ligas, responsáveis por US$ 267,6 milhões, e carne bovina, com US$ 170,1 milhões.

A Fieg calcula que 40 produtos selecionados da indústria goiana poderão ampliar as vendas em US$ 87 milhões anuais. Outros itens industriais têm potencial de crescimento de US$ 43 milhões, enquanto produtos agrícolas e minerais poderão acrescentar US$ 78 milhões às exportações.

A abertura também beneficia a carne bovina, que contará com uma cota preferencial de 99 mil toneladas para o Mercosul, sujeita a uma tarifa de 7,5%, inferior às alíquotas anteriores, que variavam entre 42% e 46%.

O acordo ainda prevê cotas com isenção tarifária para carne de frango desossada e açúcar, além da eliminação de uma tarifa de 20% aplicada a determinados cortes bovinos nobres.

Empresários correm contra o tempo

Apesar das perspectivas positivas, parte das empresas goianas ainda precisa se preparar para aproveitar as oportunidades.

Em entrevista ao Jornal Opção, o analista de desenvolvimento da Fieg, Saulo Nogueira, afirmou que a entrada em vigor do acordo pegou parte do setor produtivo desprevenida.

“Desde maio, quando o acordo entrou em vigor, caiu a ficha para o empresário brasileiro e até mesmo para o governo”, afirmou.

Segundo ele, enquanto empresas que já exportavam passaram a procurar novos compradores e participar de feiras internacionais, outras começaram somente agora a estruturar suas operações para vender ao exterior.

O analista destacou que o mercado europeu oferece oportunidades de ganhos superiores aos de outros destinos comerciais, mas exige investimentos em qualidade, rastreabilidade e adequação dos produtos.

“O mercado europeu é enorme e muito rico, o que permite pagar valores superiores aos de outros destinos. Se um exportador vende para a África do Sul ou para o Egito por 100 dólares, na Europa ele consegue obter o equivalente a 130 ou 150 dólares”, explicou.

Exigências ambientais impõem restrições

A gerente de internacionalização da Fieg, Juliana Tormin, também alertou que a redução de impostos não garante, por si só, a entrada dos produtos goianos no mercado europeu.

“O acordo comercial já existe. O que as empresas precisam é adequar os seus produtos para que eles entrem no mercado europeu”, afirmou ao Jornal Opção.

Entre os principais desafios estão as exigências sanitárias, ambientais e trabalhistas, além da necessidade de comprovar a origem das mercadorias.

Para determinados produtos, como soja e carne bovina, as regras europeias exigem mecanismos de rastreabilidade e comprovação de que a produção não está associada ao desmatamento após 31 de dezembro de 2020.

Juliana também chamou atenção para o aumento da concorrência dentro do próprio Mercosul, já que produtos europeus terão acesso facilitado aos mercados dos países integrantes do bloco.

Segundo ela, a nova realidade representa “um duplo benefício e um duplo desafio” para as empresas brasileiras.

Goiás também poderá importar mais barato

Além de ampliar as exportações, o acordo poderá reduzir custos para indústrias goianas que dependem de equipamentos, medicamentos e matérias-primas importadas da Europa.

O estudo da Fieg aponta que os dez principais produtos europeus adquiridos por Goiás poderão registrar aumento médio de US$ 21,4 milhões anuais nas importações após a redução completa das tarifas.

Entre os itens beneficiados estão insumos farmacêuticos, máquinas de embalagem e equipamentos utilizados na construção civil e na indústria.

A expectativa é que a diminuição dos impostos facilite a modernização das fábricas e aumente a competitividade da produção estadual.

No cenário nacional, projeções do governo federal indicam que o acordo poderá acrescentar R$ 37 bilhões ao PIB brasileiro, elevar os investimentos em R$ 13,6 bilhões e ampliar as exportações do país em US$ 9,2 bilhões.

A implementação completa das medidas comerciais está prevista para ocorrer gradualmente até 2038.

Para Goiás, o desafio será transformar a abertura do mercado europeu em novos contratos, investimentos e postos de trabalho. Os 24,2 mil empregos apontados pela Fieg representam uma projeção econômica, e não vagas já abertas ou contratações garantidas.

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