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Voto útil na reta final da eleição desidrata candidaturas mais frágeis; entenda

O chamado voto útil é uma estratégia em que o eleitor deixa de priorizar sua candidatura preferida para tentar influenciar o resultado da eleição, transferindo o seu voto para um candidato com mais chances de sucesso. A lógica normalmente ganha força nos últimos dia de campanha, quando as pesquisas tornam mais claras as probabilidades de vitória de cada concorrente.

Ilustração do Jornal Opinião do Entorno

O voto útil é uma escolha baseada também no resultado que o eleitor deseja produzir. Segundo o cientista político Elias Tavares, trata-se de um voto estratégico: o eleitor percebe que seu candidato preferido tem poucas chances de avançar ou vencer e passa a considerar outras opções com maiores probabilidades.

A diferença está no motivo da escolha. No voto por convicção, o eleitor prioriza quem considera mais representativo; no voto útil, ele também calcula as consequências do próprio voto. Assim, a pergunta deixa de ser apenas "em quem eu quero votar?" e passa a incluir "qual resultado quero ajudar a produzir ou evitar?"

A rejeição a um adversário pode ser tão importante quanto a preferência por um candidato. O eleitor pode escolher uma candidatura que não seria sua primeira opção porque a considera mais próxima de suas posições ou porque quer impedir a vitória de outro candidato.

Importância das pesquisas

O voto útil tende a ganhar espaço quando a eleição se afunila. Isso costuma ocorrer na reta final, quando as pesquisas ajudam a formar uma percepção sobre quais candidatos têm chances reais de chegar ao segundo turno ou vencer no primeiro.

As pesquisas ajudam o eleitor a avaliar a viabilidade das candidaturas. Os levantamentos não são uma previsão exata do resultado, mas mostram a situação da disputa naquele momento e permitem observar quem está à frente, quem se aproxima e quem se distancia.

"Quanto mais consolidada estiver essa percepção de que a eleição se afunilou para dois ou três candidatos, maior tende a ser o espaço para o voto útil. Porque o eleitor que estava com um candidato de 3%, 4%, 5% começa a se perguntar: mantenho meu voto de preferência ou participo diretamente da decisão entre aqueles que têm mais chances?", disse o cientista político.

O voto útil não beneficia necessariamente apenas quem está em primeiro ou segundo lugar. Um candidato que cresce rapidamente e se aproxima de um líder também pode ser percebido como competitivo e atrair eleitores de candidaturas menores.

A tendência de crescimento pode ser tão importante quanto a posição na pesquisa. Para o eleitor que considera votar estrategicamente, uma candidatura em terceiro lugar pode parecer mais viável se estiver reduzindo rapidamente a distância para o segundo colocado.

Método muda no segundo turno

No segundo turno o calculo do voto útil reduz com as opções de candidatos, quando o eleitor escolhe o seu concorrente preferido ou o contrário ao que ele rejeita.

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