O presidente afirma que cadastro de Flávio no Missão foi feito com interação entre o e-mail oficial do Senado com o sistema do partido e que mensagens e links foram acessados pela conta do senador

O presidente do Partido Missão e candidato à Presidência da República, Renan Santos, afirmou que a sigla possui registros de e-mails, acessos e cliques relacionados à filiação de Flávio Bolsonaro ao partido e anunciou que entregará os dados à Polícia Federal (PF), ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e à imprensa.
Em vídeo, Santos contestou a versão apresentada pela campanha de Flávio, de que ele teria sido “vítima do sistema”, levantou suspeitas de que a fraude tenha partido do próprio filho 01 do ex-presidente Jair Bolsonaro, em busca de exposição e elementos para criticar o sistema eleitoral. O candidato desafiou o senador a divulgar informações de acesso ao próprio e-mail para esclarecer quem teria realizado a operação.
A polêmica começou depois que Flávio Bolsonaro apareceu no sistema da Justiça Eleitoral como filiado ao Missão. A situação provocou repercussão porque poderia criar dificuldades para o registro da candidatura do senador pelo PL à Presidência.
Segundo Renan Santos, porém, a informação de que a candidatura estaria automaticamente impedida seria falsa. Para ele, o episódio teria sido usado para alimentar uma narrativa de que Flávio havia sido prejudicado e é alvo do que ele chama de sistema.
“Vou mostrar pra vocês, passo a passo, a malandragem que estão tentando fazer contra o Partido Missão e, provavelmente, da própria campanha do Flávio Bolsonaro”, afirmou.
Santos explicou que grandes partidos utilizam sistemas automatizados para processar filiações e disse que o Missão adota procedimento semelhante. De acordo com ele, os dados de Flávio teriam sido cadastrados no sistema da legenda dias antes de a controvérsia vir a público.
O dirigente afirma que há um detalhe que precisa ser esclarecido: o endereço eletrônico informado no cadastro seria o e-mail oficial de Flávio no Senado.
A partir daí, segundo Santos, o sistema enviou automaticamente uma série de mensagens. Ele mostrou registros que, conforme sua versão, indicariam que alguns desses e-mails não apenas foram entregues, mas também abertos. Em determinados casos, links presentes nas mensagens teriam sido acessados.
“Esse cadastro foi feito com o e-mail oficial dele do Senado. E aí, por ter feito o cadastro, ele recebeu inúmeros e-mails do nosso sistema que foram, veja só, abertos”, declarou.
Ainda conforme Renan, um dos links acessados direcionava para o aplicativo do Missão. Outro seria uma confirmação necessária para dar continuidade ao processo de filiação, paga ou não paga.
Com base nesses registros, o candidato passou a questionar quem teria acesso ao endereço eletrônico utilizado e por que o episódio não foi denunciado imediatamente.
“Por que diabos eles esperaram tanto tempo para vir a público? Por que diabos alguém com acesso ao e-mail do Flávio, eventualmente o próprio Flávio, abriu os e-mails e clicou nos links?”, questionou.
Renan também relacionou a repercussão do caso ao lançamento da campanha de Flávio no Rio de Janeiro e levantou, sem apresentar provas, a hipótese de que a controvérsia possa ter sido explorada politicamente. Ele ainda sugeriu que o assunto poderia servir como “cortina de fumaça” para a divulgação da declaração de bens do senador.
Apesar das acusações, Santos afirmou esperar que o episódio tenha sido provocado apenas por alguém tentando fazer uma brincadeira ou “trollagem” na internet. Ele citou como exemplo um caso envolvendo Lula e o antigo PR, partido que antecedeu o atual PL.
Ao final, Renan anunciou que o Missão pretende disponibilizar ao TSE e à imprensa registros técnicos relacionados ao episódio, incluindo e-mails, logs e endereços de IP, para que a origem da filiação seja investigada.
“Eu e o Partido Missão vamos disponibilizar pro TSE e pra toda imprensa todos os dados, e-mails, logs e IP, tudo desse caso, pra que todo mundo possa ver e redescobrir a verdade do caso”, afirmou.
O candidato também desafiou Flávio Bolsonaro a fazer o mesmo e permitir que os dados relacionados ao acesso ao e-mail sejam analisados pela imprensa e pela Polícia Federal.
“Mostre os dados assim como a gente tá mostrando”, disse.
Renan encerrou propondo um confronto público entre os dois para apresentar as respectivas versões e registros sobre o episódio.
“Eu vou lá com você numa boa. Trago os meus dados e você traz os seus. Quem será que tá com a verdade?”, afirmou.
As afirmações sobre os acessos, cliques e a origem do cadastro apresentadas por Renan Santos são a versão do dirigente do Missão e dependem de análise dos registros técnicos e das autoridades competentes para eventual confirmação.
Assista ao vídeo:







