A confirmação de que agentes do ICE (Immigration and Customs Enforcement), a agência de imigração e fiscalização dos Estados Unidos, estarão envolvidos em tarefas de segurança durante os Jogos Olímpicos de Inverno Milão-Cortina 2026 provocou uma crise política e cultural na Itália, especialmente na cidade anfitriã Milão.

A presença destes agentes também chamados de “Gestapo” do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em alusão à violenta polícia Nazista, confirmada por fontes da Embaixada norte-americana em Roma, desencadeou duras críticas de autoridades italianas e de setores da sociedade civil.
O braço investigativo do ICE, Homeland Security Investigations (HSI), apoiará o Serviço de Segurança Diplomática dos EUA e o país anfitrião na avaliação e mitigação de riscos relacionados a organizações criminosas transnacionais durante os Jogos. A agência ressaltou que os agentes não executarão operações de controle migratório no território italiano e que todas as atividades de segurança ficam sob autoridade das forças italianas
“Não são bem-vindos em Milão”
O prefeito de Milão, Giuseppe Sala reagiu com indignação à notícia. Em entrevista à rádio RTL 102.5 na manhã desta terça-feira, Sala afirmou que os agentes do ICE “não são bem-vindos em Milão” e criticou duramente o papel da agência, caracterizando-a como uma “milícia que mata” e dizendo que não está alinhada com a forma democrática com que a segurança deve ser garantida.
Sala também questionou se a Itália poderia recusar diretamente uma imposição de Donald Trump, numa referência à administração dos EUA que autorizou o envio dos agentes. Seu posicionamento tem reverberado entre grupos da centro-esquerda, que veem o ICE como símbolo de políticas de imigração repressivas e violentas, especialmente após episódios recentes de confronto e mortes envolvendo agentes nos Estados Unidos.
Governo italiano entre negações e confirmações
Antes da confirmação da Embaixada dos EUA, membros do Ministério do Interior italiano e fontes policiais haviam declarado que não havia acordos assinados para operações do ICE em território italiano durante os Jogos e que todas as atividades de ordem pública seriam geridas exclusivamente pelas autoridades italianas.
O ministro do Interior, Matteo Piantedosi, chegou a qualificar a polêmica como “sem fundamento”, reiterando que o ICE não operaria na Itália e que relatos sobre sua presença eram prematuros.
Reação política e social
A controvérsia ultrapassou os corredores da prefeitura. Parlamentares italianos de diversos partidos, inclusive da oposição ao governo de Giorgia Meloni, também criticaram a ideia de permitir a presença de agentes do ICE durante um evento que simboliza fraternidade, inclusão e cooperação internacional.
Organizações civis e grupos de direitos humanos intensificaram os pedidos de esclarecimento, argumentando que a presença de agentes de uma agência frequentemente associada a deportações e uso da força contra migrantes nos EUA é incompatível com os valores olímpicos e com a tradição democrática italiana.
Com os Jogos Olímpicos de Inverno marcados para começar em 6 de fevereiro de 2026, a disputa sobre o papel e a legitimidade da presença do ICE em Milão pode se tornar um dos capítulos mais controversos desta edição dos Jogos. A tensão entre soberania local e cooperação internacional em segurança tende a manter o tema no centro dos debates públicos italianos nas próximas semanas.








