Manifestação da Procuradoria-Geral da República cita o total desconhecimento desta parte da investigação, que teria sido retida pelo gabinete do ministro André Mendonça, do STF, não estando disponível no sistema do STF para órgão, até então

A Procuradoria-Geral da República (PGR) manifestou-se a favor da retirada do sigilo sobre um processo que investiga a rede de pagamentos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, conforme parecer enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta segunda-feira (14). A medida, solicitada pelo ministro Alexandre de Moraes, é considerada essencial pelo órgão para garantir a transparência e a compreensão plena dos fatos que envolvem o debate jurídico na Corte.
O documento, assinado pelo vice-procurador-geral da República, Hidenburgo Chateaubriand Filho, ressalta a necessidade de publicidade para que seja possível avaliar a totalidade dos elementos contidos na petição e destaca que essa parte da investigação era totalmente desconhecida pelo órgão. “Ela não aparece visível a PGR no sistema da Suprema Corte”, consta na decisão.
A manifestação do vice PGR ocorreu em resposta a um ofício endereçado ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, responsável por intermediar a questão antes de uma decisão definitiva sobre o acesso nos autos.
A controvérsia ganha contornos de urgência devido ao julgamento previsto para esta terça-feira (15) de setembro de 2026. Na data, o plenário do STF deve deliberar sobre a abertura de uma possível investigação, ou não, contra o ministro Alexandre de Moraes, baseada em relatório da Polícia Federal (PF) que aponta mensagens enviadas por Daniel Vorcaro entre 2023 e 17 de novembro de 2025.
O material, recuperado de um celular apreendido, indica uma suposta troca de informações sobre contratos milionários com o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, além de questionamentos sobre operações policiais. O caso ganhou visibilidade após o ministro André Mendonça levantar o sigilo de 53 linhas de investigação da Operação Compliance Zero, desencadeando um embate institucional no Supremo.
Em sua defesa, Alexandre de Moraes questionou a lisura das apurações conduzidas sob a relatoria de André Mendonça, apresentando um relatório de inteligência, cuja validade probatória foi contestada, sob a alegação de direcionamento político. O impasse sobre a abertura de investigação contra Mendonça por abuso de autoridade e outros crimes de responsabilidade segue com julgamento agendado para o dia 23 de setembro de 2026.








