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Naufrágio no Mediterrâneo deixa 116 mortos e um sobrevivente

Barco partiu da Líbia, lançou pedido de socorro e desapareceu. O resgate ocorreu dias depois por pescadores tunisinos

ONG Sea-Watch atua no monitoramento aéreo e no resgate de pessoas em perigo no Mediterrâneo / Foto: Reprodução (Sea-Watc International)

Um naufrágio ocorrido no Mediterrâneo  deixou 116 migrantes mortos e apenas um sobrevivente, após uma embarcação que havia partido da Líbia desaparecer no mar, segundo informações divulgadas pela organização humanitária Sea-Watch e pela ONG Alarm Phone.

A embarcação havia saído na quinta-feira (18) da costa líbia e lançou um pedido de socorro pouco tempo depois. Desde então, não houve mais contato. O único sobrevivente foi resgatado dias depois por um barco de pesca tunisino.

Antes da confirmação do naufrágio, a Sea-Watch informou que utilizava o avião Seabird para tentar localizar o barco desaparecido.

“Nos últimos dias estivemos no ar com nossa aeronave Seabird. Uma frente de mau tempo se aproximava e recebemos informações sobre um barco desaparecido. Cerca de 100 pessoas estão desaparecidas. Voamos em busca de pistas. Nossos pensamentos estão com suas famílias e amigos”, informou a organização.

O fato de a aeronave não ter localizado a embarcação reforçou, ainda nos primeiros dias, a suspeita de que o barco tivesse naufragado. 

“Tememos que na noite de 19 de dezembro tenha ocorrido mais um naufrágio. Às 14h, a Alarm Phone foi informada sobre uma embarcação que havia partido de Zuwara com 117 pessoas a bordo. Alertamos a guarda costeira e as ONGs competentes, mesmo sem uma posição de GPS”, informou a ONG Alarm Phone, que reconstruiu os acontecimentos a partir dos alertas recebidos.

Segundo a organização, as tentativas de contato com o barco, feitas ao longo do dia por telefone via satélite, não tiveram sucesso. Dois dias depois, na noite de domingo (21), a ONG recebeu novas informações. 

“Recebemos relatos de que pescadores tunisinos encontraram um único sobrevivente em um barco de madeira. O homem teria declarado que havia partido de Zuwara dois dias antes e que era o único sobrevivente”, afirmou a Alarm Phone.

Segundo o relato do sobrevivente, poucas horas após a partida, as condições meteorológicas se deterioraram rapidamente, com ventos que chegaram a 40 km/h.

Sobrevivente hospitalizado

Horas após a divulgação do relato, a Alarm Phone informou ter recebido imagens extraídas de um vídeo enviado por pescadores, que mostrariam o sobrevivente. Ele teria sido transferido para um hospital na Tunísia.

A ONG ressaltou, no entanto, que ainda tenta confirmar completamente as informações. 

“A Alarm Phone tentou verificar esses dados, mas ainda não conseguiu confirmá-los totalmente. Tentamos estabelecer contato direto tanto com o sobrevivente quanto com os pescadores que o resgataram para compreender melhor o que aconteceu e onde ocorreu o naufrágio, mas até agora sem sucesso”, informou a entidade.

Em publicações nas redes sociais, a Sea-Watch associou o episódio às políticas migratórias na região.

“A violência nas fronteiras não para nem no Natal. Se as fronteiras estivessem abertas, essas pessoas provavelmente nunca teriam sido forçadas a atravessar o Mediterrâneo. Exigimos respostas. Tudo o que queremos para o Natal são fronteiras abertas”, escreveu a organização.

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