Presidente deixa para adversário a pecha de entreguista que se curva a interesses estrangeiros e coloca Brasil à venda

A convenção que oficializou a candidatura do presidente Lula (PT) e do vice Geraldo Alckimin (PSD) à reeleição deixou claro alguns dos motes da chapa na corrida ao Planalto daqui até outubro.
Em busca de mais um mandato, os candidatos apostam no discurso da soberania, da defesa pela democracia e dos grupos sociais mais vulneráveis, prometendo uma barreira contra o projeto da extrema direita que avança em países pela América do Sul, com subserviência principalmente aos Estados Unidos, de Donald Trump e discurçso contra políticas de garantias de renda.
As bandeiras do Brasil e de cada unidade da federação espalhadas pelo centro de convenções em São Paulo cobriram de simbolismo a defesa da autonomia nacional.
No outro lado da trincheira, Flávio Bolsonaro (PL) nem disfarça a intenção de terceirizar um eventual governo a forças estrangeiras. Sinaliza isso dando palanque a Javier Milei e seguindo ponto a ponto a cartilha ultraliberal norte-americana. Se nada mais der certo, vai para o tudo ou nada colocando o próprio sistema eleitoral em xeque.
“Eu quero estar preparado para que ninguém invada esse país e leve o presidente com ele invadido. Quero estar preparado para a paz, não para a guerra. Quero estar preparado para ninguém ousar ‘se fazer de besta’ conosco”, disse Lula.
Na frase seguinte ele deixou claro do que falava. Segundo o presidente, “nem chinês, nem americano e nem francês vão meter o dedo nas nossas terras raras e minerais críticos”.
Geraldo Alckmin (PSB) e Fernando Haddad (PT) seguiram a estratégia.
O vice-presidente, em seu tom professoral, disse que a contestação do resultado das urnas antes do início da campanha denota cheiro de derrota dos rivais.
Ele elogiou o sistema de votação e disse que a "urna é tão competente que não aceita voto de argentino e americano", numa referência aos líderes dos países estrangeiros que tentam intervir na disputa e favor dos seus interesses, mais viáveis com Flávio Bolsonaro.
O candidato a governador de São Paulo foi além. Disse que Lula “nunca traiu o povo brasileiro” e que o país está sendo “reconstruído, de cabeça erguida, sem abaixar a cabeça diante do presidente de nenhum outro país, sem colocar boné de presidente de nenhum outro país.”
A estratégia é óbvia: resgatar as cores da bandeira, apropriadas pela extrema direita, e colocar em xeque o suposto patriotismo do bolsonarismo que é representado por Flávio e supostamente se rende a lideranças estrangeiras.
As menções tentam por o candidato do PL em posição de entreguista, do qual é acusado, e encurralado entre duas opções únicas de defesa, ambas ruins, ou se manter ignorando a pecha de traidor da pátria, ou renegando os aliados estrangeiros, seus principais sócios na campanha ao Planalto.
Lula cresceu em popularidade justamente quando afinou o discurso da soberania logo após o clã Bolsonaro obter dos Estados Unidos sanções contra autoridades brasileiras e sobretaxas contra exportações de empresas brasileiras.
Na primeira fala oficial como candidato, o candidato a reeleição deu mostras de que este será o tom até o fim da campanha.







