A Casa Rosada considera o acordo liderado pelo preside Lula, do Brasil, como um avanço importante para a Argentina em termos estratégicos, com potencial de abrir novos mercados e atrair investimentos europeus nas áreas de agronegócio, mineração e energia

Javier Milei passou a primeira metade de seu governo criticando o Mercosul, comparando o bloco, inclusive, a uma “cortina de ferro” que impediria negociações de interesse de seus integrantes. Além disso é um crítico ferrenho do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, que, a frente do bloco, destravou e viabilizou o acordo de livre comercio com a União Europeia.
Mas todas os ataques públicos não intimidou a desfaçatez do argentino, que comemorou o sinal verde dos europeus para o acordo com os latino-americanos como uma vitória pessoal.
“As boas notícias continuam”, postou Milei no X, ao comentar uma publicação em que o chanceler argentino, Pablo Quirno, comemora o acesso preferencial das economias sul-americanas a "um mercado de 450 milhões de pessoas”.
Atualmente a participação dos produtos argentinos no mercado da União Europeia é modesta. Em 2024, o bloco europeu importou cerca de US$ 220 bilhões (R$ 1,2 tri) em produtos agroindustriais, dos quais cerca de 3% eram de origem argentina, e o país vizinho tem interesse em aumentar as vendas de produtos tradicionais argentinos, como soja, carnes e vinhos.
Economistas argentinos consideram que Mercosul União Europeia pode criar um ambiente mais previsível para o comércio agroindustrial local, tão afetado pela política econômica de Milei de facilitação de importações.
A despeito das críticas e ataques desqualificados de Milei, a União Europeia também concordou em dialogar sobre segurança alimentar, além de incluir compromissos em questões trabalhistas e ambientais, o que é completamente ignorado por Milei, que classifica os temas como “comunistas”.
Em sua postagem, Quirno ressaltou que o acordo elimina tarifas para 92% das exportações, o que representa uma “oportunidade significativa” para o país. “Assim, a Argentina, sob a liderança de Milei, busca competir e crescer com um ambiente comercial mais claro e livre”, escreveu ele, esquecendo os ataques de Javier Milei ao bloco e ao presidente Lula, do Brasil, que viabilizou o acordo após 25 anos de tentativas.
Também na contramão dos ataques do seu presidente ao Bloco sul-americano, um comunicado do Inai (Instituto de Negócios Agrícolas Internacionais) da Argentina diz que “Em uma era marcada por tensões geopolíticas, conflitos comerciais e enfraquecimento do multilateralismo, o acordo com a UE abre grandes oportunidades para a inserção externa do Mercosul, em geral e para a cadeia agroindustrial argentina em particular”.








