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EUA destinaram US$ 1 mi contra o STF no governo Trump, diz jornal

Segundo o The Guardian, verba de fundo de direitos humanos financiou ações sobre suposta "censura"; secretário Rubio liberou verba após bloqueios no Senado

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump / Foto: Reprodução (Getty Images – BBC)

O governo de  Donald Trump  teria destinado US$ 1 milhão para financiar iniciativas contrárias ao Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil, segundo reportagem publicada pelo The Guardian. 

O dinheiro estava originalmente vinculado ao Fundo de Direitos Humanos e Democracia do Departamento de Estado dos Estados Unidos, mas teria sido redirecionado pela administração Trump para projetos alinhados a pautas conservadoras em diferentes países. A informação foi divulgada pelo ICL, nesta quinta-feira (01).

O subsídio destinado ao Brasil recebeu o nome de “Combate ao Lawfare e à Censura no Brasil”. A proposta previa financiar organizações da sociedade civil que fazem críticas à atuação do STF e alegam excesso de poder judicial e censura, de acordo com o jornal britânico. 

Recurso entrou em pacote maior

A verba destinada ao Brasil faz parte de um conjunto de repasses que, segundo a reportagem, ultrapassa US$ 175 milhões. Os recursos foram retirados do fundo americano criado para apoiar projetos relacionados a direitos humanos e democracia.

Entre os repasses está também uma verba de US$ 40 milhões para um consórcio liderado pela Victims of Communism Memorial Foundation (VOC), organização americana anticomunista.

Os recursos foram direcionados pela administração Trump para iniciativas ligadas a agendas conservadoras nos Estados Unidos e no exterior, afirma o Guardian. 

Bloqueios foram contestados no Congresso

A senadora democrata Jeanne Shaheen, integrante do Comitê de Relações Exteriores do Senado americano, havia colocado bloqueios sobre dez repasses que somavam cerca de US$ 22 milhões, segundo o jornal. 

Os recursos seriam destinados a projetos no Brasil, na África do Sul e na Nigéria, além de iniciativas voltadas à promoção de pautas de direita no Reino Unido e em outros países europeus.

O secretário de Estado americano,  Marco Rubio, assinou pessoalmente um memorando para contornar os bloqueios e autorizar a liberação dos valores, afirma a reportagem.

Marco Rubio, secretário de estado do regime de Donald Trump, nos EUA / Foto: Reprodução (DW)

Relação com as eleições brasileiras

A revelação ocorre em meio ao aumento das tensões entre o governo Trump e autoridades brasileiras.

Em carta enviada nesta semana ao governo americano, Shaheen acusou integrantes da administração Trump de promover uma campanha de i nterferência no Brasil e pediu que a Casa Branca reconheça o resultado das eleições brasileiras.

A senadora também relacionou as medidas adotadas pelos Estados Unidos à pressão sobre o STF durante o processo envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro.

O Guardian já havia publicado outras reportagens sobre as acusações de interferência americana na eleição brasileira. Em setembro, parlamentares democratas também enviaram uma carta a Rubio questionando ações do governo Trump que, segundo eles, poderiam influenciar o processo eleitoral no Brasil.

Sanções contra Alexandre de Moraes

A atuação do governo Trump em relação ao Brasil também incluiu medidas contra o ministro Alexandre de Moraes.

As sanções foram adotadas após pressão de Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. O episódio ocorreu em meio às críticas de aliados de Bolsonaro à atuação do STF, ainda segundo o Guardian.

A nova revelação sobre o financiamento acrescenta um componente financeiro à disputa diplomática entre os dois países e mostra que o Brasil passou a integrar um conjunto mais amplo de iniciativas internacionais apoiadas pela administração Trump.

Fundação recebeu outros recursos dos EUA

O Guardian também analisou documentos do Departamento de Estado americano sobre a Victims of Communism Memorial Foundation.

De acordo com a documentação consultada pelo jornal, a organização havia recebido anteriormente US$ 96.997 em contratos com o governo americano nos cinco anos anteriores, todos registrados no ano fiscal de 2022.

A fundação também tem entre seus nomes de destaque Andrew Bremberg, que já ocupou cargos no governo Trump e foi embaixador dos Estados Unidos junto ao escritório da ONU em Genebra.

A mudança na destinação dos recursos representa uma alteração significativa na forma como o governo Trump passou a utilizar o fundo destinado originalmente a direitos humanos e democracia.

Quem é Marco Rubio

Nascido em 28 de maio de 1971, em Miami,  Rubio é filho de imigrantes cubanos. Formou-se em ciências políticas pela Universidade da Flórida e em direito pela Universidade de Miami.

Sua carreira política começou aos 28 anos, quando foi eleito para a Câmara de Representantes da Flórida, chegando a presidir a casa em 2006, tornando-se o mais jovem a ocupar o cargo no estado.

Em 2010, Rubio foi eleito senador pela Flórida, posição que ocupou até este ano, com atuação em políticas de imigração, comércio exterior e relações com a América Latina.

Como senador, integrou comitês de inteligência e relações exteriores, defendendo postura dura contra adversários dos EUA e criticando regimes como o de Cuba.

Em 2016, concorreu à presidência republicana, mas desistiu após confrontos com Donald Trump, que o apelidou de “Little Marco”. Posteriormente, alinhou-se ao trumpismo, adotando posições mais protecionistas em comércio.

No segundo mandato de Trump, Rubio foi nomeado Secretário de Estado, acumulando funções como conselheiro de segurança nacional e negociador em temas sensíveis.

Ele defende o uso das tarifas impostas por Trump como instrumento de reciprocidade comercial, argumentando que elas corrigem desequilíbrios e pavimentam negociações bilaterais.

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