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Em crise, economia argentina, que Flávio Bolsonaro pretende copiar no Brasil, recua 0,6% no segundo trimestre

PIB ainda registra alta de 2% em relação ao mesmo período de 2025, mas consumo e investimentos perderam força

Javier Milei e Flávio Bolsonaro durante convenção do PL / Foto: Reprodução (UOL Notícias)

A economia da Argentina encolheu 0,6% no segundo trimestre de 2026 em relação aos três meses anteriores, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (17) pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec). É a primeira retração trimestral desde o fim de 2024 e indica uma desaceleração na recuperação iniciada após a forte recessão do começo do governo de Javier Milei.

Na comparação com o segundo trimestre de 2025, entretanto, o Produto Interno Bruto (PIB) avançou 2%. Considerando os seis primeiros meses deste ano, a economia acumula crescimento de 2,2%.

Os dados mostram uma trajetória menos uniforme da atividade econômica. Embora a produção argentina permaneça acima do nível registrado um ano antes, houve uma desaceleração ao longo de 2026, acompanhada por uma redução do consumo interno.

Consumo e investimento recuam

O desempenho do segundo trimestre foi marcado principalmente pela queda do consumo e dos investimentos. O consumo privado diminuiu 2,4% em relação ao primeiro trimestre, enquanto o consumo público recuou 2,3%.

A formação bruta de capital fixo, indicador que inclui investimentos em máquinas, equipamentos, construção e outros ativos produtivos, caiu 0,8% no período.

Já as exportações cresceram 2,5% no segundo trimestre em relação aos três meses anteriores. Na comparação com o mesmo período de 2025, a alta das vendas externas de bens e serviços chegou a 13,7%.

Os números também indicam uma mudança na composição do crescimento. Atividades relacionadas à produção de commodities e às exportações apresentaram desempenho positivo, enquanto setores ligados à demanda interna, de valor agregado, tiveram resultados mais fracos.

Entre os destaques estão a pesca, que cresceu 44,7% em um ano, a mineração e exploração de pedreiras, com alta de 16,4%, e a agropecuária, que avançou 6,9%. A indústria manufatureira registrou queda de 2% na comparação anual.

O modelo econômico de Javier Milei é apontado como um exemplo a ser seguido pelo candidato a presidente do Brasil, Flávio Bolsonaro. Recentemente a coordenadora econômica da campanha do liberal disse em entrevista que o plano econômico do presidenciável é inspirado no argentino.

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