A partir da identificação do homem, a polícia levantou informações sobre o local de trabalho dele e conseguiu localizá-lo

A Polícia Civil revelou novos detalhes sobre o desaparecimento da adolescente Ana Clara Alves Silva, de 13 anos, localizada nesta quarta-feira (9), em Anápolis. Segundo a delegada Aline Lopes, responsável pelo caso, a menina teria sido convencida por um homem de 19 anos a fugir de casa e chegou a receber orientações para evitar ser encontrada.
De acordo com a delegada, os investigadores conseguiram identificar o homem com quem Ana Clara teria combinado a fuga por meio de uma plataforma na internet. A partir da identificação, a polícia levantou informações sobre o local de trabalho dele e conseguiu localizá-lo.
Durante a abordagem, segundo Aline Lopes, o homem indicou aos policiais onde a adolescente estava escondida. Ana Clara foi encontrada sem ferimentos e, conforme a delegada, apresentava boas condições de saúde.
"Ele apontou o local onde a Ana Clara estava escondida. Ela foi localizada bem, está bem de saúde, não tem nenhum tipo de lesão, não sofreu nenhum tipo de agressão", explicou a delegada.
Ainda segundo Aline, a adolescente inicialmente não queria acompanhar os policiais, preferia permanecer no local. A equipe precisou insistir para retirá-la do local e encaminhá-la à Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA).
A delegada afirmou que a investigação apura possíveis conflitos familiares e outras circunstâncias que podem ter contribuído para a decisão da adolescente de deixar a residência. No entanto, ressaltou que, independentemente das razões que tenham levado à fuga, Ana Clara tem 13 anos e é considerada vulnerável pela legislação.
"É uma adolescente de 13 anos. É uma pessoa vulnerável, tanto para a lei quanto para a sociedade", afirmou Aline.
Orientação para fugir
Segundo a delegada, a investigação identificou que o homem teria adotado uma série de estratégias para convencer a adolescente a deixar a casa sem ser localizada.
Entre as orientações, estaria a recomendação para que Ana Clara quebrasse o próprio celular, dificultando sua localização. Ele também teria explicado como sair da residência sem ser percebida e dado instruções para evitar câmeras de segurança durante o trajeto.
Ainda conforme Aline Lopes, o homem chegou a sugerir que a adolescente desse “boa noite, Cinderela” aos familiares, em uma referência à estratégia para fazer com que eles não percebessem imediatamente que ela havia deixado a residência.
Para a delegada, o caso mostra como adolescentes podem se tornar alvos de pessoas que se aproveitam de momentos de fragilidade para estabelecer contato pela internet.
"Ali na internet, ela se tornou um alvo fácil para uma pessoa que se aproveitou da vulnerabilidade dela, de um momento difícil que muitas vezes muitos adolescentes passam", afirmou.
Ana Clara havia desaparecido durante a madrugada entre domingo (6) e segunda-feira (7). Antes de sair de casa, segundo a Polícia Civil, ela fez um Pix para a irmã e deixou uma carta de despedida. No texto, disse que estava indo embora com uma pessoa que amava e que não sabia se voltaria para casa.
Durante as buscas, os investigadores chegaram a verificar uma informação de que ela poderia estar em Araguatins, no Tocantins. A suspeita, porém, não foi confirmada. A pessoa encontrada naquela cidade era outra adolescente de Goiânia, que tinha nome e características físicas semelhantes às de Ana Clara.
Após ser localizada, a adolescente foi levada para a DPCA, onde foi ouvida pela delegada e passou pelos procedimentos previstos no atendimento a vítimas. Segundo Aline Lopes, ela também seria encaminhada para exames antes de ser entregue à família.
O homem de 19 anos que estava com a adolescente foi ouvido e preso em flagrante, segundo a Polícia Civil, pelos crimes de estupro de vulnerável e cárcere privado.
A investigação continua para esclarecer toda a dinâmica do desaparecimento, o período em que Ana Clara permaneceu fora de casa e as circunstâncias do encontro entre os dois.








