Daniel Vorcaro passou anos cultivando laços com a elite brasileira, segundo a revista britânica

A revista britânica The Economist publicou na quinta-feira (22) um texto sobre o caso do Banco Master, que foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central (BC) em novembro. A publicação afirmou que a investigação expôs ligações entre os políticos, o Judiciário e os “figurões” do mercado financeiro em Brasília e afirmou que o empresário Daniel Vorcaro, fundador da instituição financeira, passou anos cultivando laços com a elite brasileira.
Para a revista britânica, o caso prejudica a reputação do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Congresso Nacional. O texto diz que o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Jhonatan de Jesus, indicado pelo Congresso, defendeu que o Banco Central atuou com “pressa” na decisão de liquidação extrajudicial.
“Esse tipo de interferência na autoridade do Banco Central é incomum e preocupante”, disse um procurador sênior que trabalha no caso à revista. A Economist afirmou que Jhonatan tem “fortes ligações” com políticos do Centrão, definido pela revista como um grupo de partidos ideologicamente “voláteis” e com histórico de corrupção.
Os políticos destes partidos teriam, segundo a revista, protegido o Master antes de sua falência. O texto cita nominalmente o senador e presidente do PP, Ciro Nogueira (PI), por ter tentar bloquear uma investigação do Congresso sobre as transações do Banco Master. O congressista teria pressionado pela aprovação de um projeto de lei que daria ao Congresso o poder de demitir o presidente do Banco Central.
A Economist declarou ainda que o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), defendeu veementemente a aquisição do Banco Master pelo BRB, mesmo com alertas sobre irregularidades.
A revista relata ainda que o celular de Vorcaro mostra ligações com o poder. O banco havia assinado um contrato de US$ 24 milhões, com duração de 3 anos, com um escritório de advocacia da mulher do ministro do STF Alexandre de Moraes, Viviane Barci de Moraes. O valor do contrato é visto como acima dos padrões por um especialista em direito que concedeu entrevista à Economist.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, teria se encontrado “diversas vezes” com Moraes antes da liquidação do Master, diz a revista.
Moares e Viviane negam irregularidades. O ministro afirmou que não se encontrou com o presidente do BC para tratar sobre o caso do Master. A PGR (Procuradoria Geral da República) determinou o arquivamento de um pedido de investigação sobre a possível atuação do ministro no caso Master. Não tinha “qualquer ilicitude que justifique a investigação”, disse o procurador-geral da República, Paulo Gonet.
A Economist disse que o “comportamento autoritário” do ministro levantou suspeitas. Como antecipou o Poder360, Moraes abriu uma investigação contra a Receita Federal para apurar vazamento de informações sobre o contrato.
Dias Toffoli & Banco MASTER
A revista britânica disse que o ministro do STF Dias Toffoli arquivou investigações anticorrupção envolvendo a elite de Brasília. O magistrado teria viajado em jatinho com um advogado do Banco Master quase ao mesmo tempo em que o sistema de sorteio do STF o designou para ser relator do caso.
“Posteriormente, descobriu-se que o sr. [Fabiano] Zettel (cunhado de Vorcaro) havia investido mais de US$ 1 milhão em um resort que pertencia aos irmãos do Sr. Toffoli. Não há provas de que o Sr. Toffoli tivesse conhecimento do assunto, e ele não se pronunciou publicamente sobre o tema”, disse a revista.
A Economist declarou que os laços reforçam a impressão entre os eleitores brasileiros de que o STF carece de imparcialidade.








