O deputado federal Arthur Lira (PP-AL) foi reeleito presidente da Câmara dos Deputados, nesta quarta-feira, 1º. O resultado foi anunciado por volta das 19h30, com 464 votos em favor do alagoano, a maior vantagem na história desde a promulgação da Constituição.

Lira conduzirá os trabalhos na Casa pelos próximos dois anos. Para que fosse eleito no primeiro turno, era preciso reunir pelo menos 257 votos dos 513 deputados. Chico Alencar (PSOL-SP) e Marcel van Hattem (Novo-RS), os únicos deputados na disputa, tiveram 21 e 19 votos, respectivamente. Foram cinco votos em branco.
Aliados de Lira chegam a falar em mais de 400 votos a favor do deputado, que conseguiu reunir em torno de sua candidatura desde bolsonaristas raiz até petistas de carteirinha.
"Seguiremos devotos da democracia e, para tanto, serei uma voz firme a favor das prerrogativas e liberdade de expressão de cada parlamentar", disse Lira, durante discurso após o resultado.
O presidente reconduzido afirmou ainda que o Brasil vive em uma democracia madura e sem espaço para aqueles que atentam contra os Poderes, numa referência aos ataques de 8 de janeiro, realizados por bolsonaristas insatisfeitos com a derrota de Jair Bolsonaro (PL) em outubro de 2022, para o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Apesar do recado para quem tem ideais golpistas, Lira defendeu uma “desinflamação” do Brasil.
"É hora de desinflamar o Brasil, distensionar as relações, e os Poderes da República, pilares da nossa democracia, devem dar o exemplo", acrescentou.
Votação recorde
Em votação considerada recorde, Lira superou os 434 obtidos por Ibsen Pinheiro (PMDB-RS), em 1991, e João Paulo Cunha (PT-SP), em 2003. Como mostrou o Estadão, Lira usou o cargo para distribuir recursos e benesses aos colegas da Casa. Só em benefícios foram R$70 milhões, incluindo até mesmo aumento na ajuda de custo para deputado pagar aluguel em Brasília.
Sem o orçamento secreto, mecanismo de distribuição de recursos públicos sem transparência que foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF), Lira recebera pressão do baixo clero para garantir privilégios aos parlamentares. Analistas ouvidos pela Reuters acrescentam ainda que a confirmação da eleição de Lira é resultado da sua capacidade de articulação e estratégia do governo, que manifestou apoio público à sua candidatura.
Esse movimento se deu em função da necessidade, de Luiz Inácio Lula da Silva, mesmo antes de assumir a Presidência da República, precisar recorrer ao apoio de Lira para aprovar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que abriu espaço fiscal para, entre outras coisas, garantir o pagamento de R$ 600 do Bolsa Família.








