O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou na madrugada de sexta-feira (06) um vídeo com teor racista que retrata o ex-presidente americano Barack Obama e a ex-primeira dama Michelle Obama como macacos, com seus rostos sobrepostos a imagens de primatas.

A imagem de dois segundos aparece ao final de um vídeo de cerca de um minuto, com teorias da conspiração sobre fraudes nas eleições de 2020, quando Trump perdeu a disputa para o ex-presidente democrata Joe Biden, até hoje não comprovadas, quando Trump perdeu a disputa para o ex-presidente democrata Joe Biden.
O mesmo vídeo que mostra os rostos do casal Obama em corpos de macacos e outros democratas como animais inferiores, como Joe Budem também em um corpo de primata comendo banana, retrata Donald Trump um leão, “rei da selva”.
A publicação foi feita em meio a 60 posts compartilhados na conta do presidente americano em apenas três horas. Boa parte deles contendo acusações já desmentidas sobre a contagem de votos em estados decisivos daquele pleito. Dezenas de tribunais no país não encontraram evidências de fraude eleitoral.
Reação
A publicação gerou reação imediata, inclusive entre aliados de Trump. “É a coisa mais racista que já vi sair desta Casa Branca. O presidente deveria removê-la”, disse o senador republicano Tim Scott, único negro do partido na Casa Alta.
O líder dos democratas na Câmara de Representantes dos EUA, Hakeem Jeffries, fez duras críticas ao presidente. “Todos os republicanos devem denunciar imediatamente o fanatismo repugnante de Donald Trump”, defendeu.
A postagem de Trump também foi criticada pelo presidente da Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor (NAACP), Derrick Johnson, que acusou o republicano de tentar distrair a opinião pública das revelações sobre suas relações com o criminoso sexual Jeffrey Epstein.
“Sabe quem não está nos arquivos Epstein? Barack Obama”, disse Johnson, aludindo ao nome de diversos famosos e poderosos citados nos arquivos do caso, inclusive o próprio Trump.
O gabinete do governador da Califórnia, Gavin Newsom, crítico de republicano e potencial candidato democrata à Casa Branca em 2028, chamou o episódio de “repugnante”. Ben Rhodes, ex-assessor de segurança nacional do governo Obama, também criticou as imagens, afirmando que Trump será lembrado como “uma mancha na nossa história”.
Casa Branca minimizou o episódio, mas depois recuou
A princípio, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, minimizou as o fato. “Isso é de um vídeo de meme da internet que retrata o presidente Trump como o Rei da Selva e os democratas como personagens de O Rei Leão”, disse Leavitt, referindo-se ao filme da Disney de 1994. “Por favor, parem com a falsa indignação e noticiem hoje algo que realmente importe para o público americano.”, concluiu.
Contudo, horas depois, a Casa Branca recuou, afirmando que a postagem havia sido feita por engano por um membro da equipe de Trump e o conteúdo foi deletado das redes sociais do presidente.
“Um funcionário da Casa Branca postou por engano. Já foi removido”, disse uma fonte interna à Agence France-Presse.
Histórico de críticas a Obama
Trump tem um longo histórico de críticas pessoais aos Obama e de uso de retórica considerada por críticos como racista.
Quando Obama estava na Casa Branca, Trump promoveu falsas alegações de que o único presidente negro dos EUA não seria americano nato, e sim natural Quênia, motivo pelo qual seria inelegível. Obama acabou divulgando seus registros de nascimento no Havaí.
Em seu segundo mandato, Trump aumentou significativamente o uso de imagens hiper-realistas geradas por IA em suas redes, muitas vezes o retratando de forma grandiosa e ridicularizando adversários. Um dos vídeos recentes, possivelmente criado pelo mesmo usuário que produziu o conteúdo que mostrava os Obamas como macacos, exibia jatos militares despejando dejetos sobre manifestantes. No ano anterior, Trump já havia divulgado também um vídeo de IA mostrando Obama sendo preso no Salão Oval.








