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Professora acusa IA de Elon Musk de ‘sequestro digital’ de sua imagem

Daisy Dixon descobriu que imagens sexualizadas suas, de lingerie ou grávida, circulavam na rede social, geradas pelo Grok

Professora tem fotos sexualizadas pelo Grok e acusa IA de Elon Musk de ‘sequestro de sua imagem’ / Foto: Reprodução

Daisy Dixon, professora da Universidade de Cardiff, no País de Gales, teve sua intimidade violada, segundo a própria, depois que  descobriu que imagens sexualizadas suas, de lingerie ou grávida, circulavam na rede social, geradas pelo Grok, a ferramenta de IA de Elon Musk.

A professora, de 36 anos, começou a notar imagens estranhas de si mesma aparecendo no X no final do ano passado. Os homens começaram a solicitar que o Grok fizesse alterações em sua foto de perfil e outras fotos dela compartilhadas on-line, como fotos de férias.

De acordo com Dixon, alguns usuários haviam usado o Grok para manipulá-las a partir de poucas fotos que ela mesma havia publicado, nas quais aparecia com roupas esportivas.

As primeiras imagens criadas pela ferramenta de inteligência artificial eram relativamente inofensivas. A manipulação se limitava a mudanças de penteado ou maquiagem, conta Daisy Dixon. Mas depois as coias mudaram, fazendo com que ela sentisse “violada em sua intimidade".

“Eu estava totalmente vestida, era apenas eu mostrando meu bíceps, basicamente, e mais e mais usuários começaram a pedir a Grok para me colocar em um biquíni, em várias cores, em micro biquínis, mas eles também começaram a alterar partes do meu corpo”, contou em recente entrevista para BBC Rádio.

Em especial, alguns usuários pediram ao Grok que a mostrasse de calcinha fio-dental, que alargasse seus quadris ou que a colocasse em poses “mais vulgares”. O Grok obedecia e “gerava a imagem”, relata a professora.

Daisy Dixon podia ver tanto os pedidos quanto as imagens criadas aparecerem em sua conta no X, onde tem cerca de 34 mil seguidores, já que o Grok as publica automaticamente na plataforma. Um usuário chegou a pedir ao Grok que a retratasse em uma “fábrica de estupros”, segundo ela, embora, nesse caso extremo, a ferramenta não tenha gerado a imagem solicitada.

"Senti-me realmente violada na minha intimidade e também em perigo", disse Daisy Dixon. "Tive vontade de me esconder", mas depois "a raiva substituiu o medo".

Ao procurar apoio no X, a professora disse que não encontrou nenhum meio para denunciar a imagem.

A repercussão negativa diante da disseminação desse tipo de conteúdo levou alguns países a anunciarem, neste mês, o bloqueio total do Grok.

No Reino Unido, onde vive Daisy Dixon, a legislação foi recentemente endurecida para coibir essas práticas, passando a punir tanto a criação quanto a solicitação de imagens íntimas sem consentimento.

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