No momento mais aguardado do Lide Brazil Conference em Londres nesta sexta-feira (21), o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, respondeu à “súplica” feita no dia anterior pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG) pedindo a redução “imediata” da taxa de juros.

"O Banco Central é um órgão técnico, que toma decisões baseadas em critérios técnicos. O timing técnico é diferente do timing político", disse o economista. "Por isso que a autonomia (do BC) é importante: para dar à sociedade a garantia de que a gente tem funcionários técnicos e que tomamos decisões sem viés político", emendou.
Em sua palestra na manhã de quinta-feira para empresários e autoridades na capital inglesa, Pacheco fez coro às pressões do PT e do Palácio do Planalto pela redução da taxa de juros, que está em 13,75%. Pouco antes da fala de Campos Neto, Pacheco voltou a falar na “reivindicação” e “súplica” do Senado para que as taxa de juros sejam reduzidas.
No debate após sua fala, ao ser questionado se a autonomia do Banco Central estaria sob risco, Campos Neto minimizou a pressão do governo federal: "O debate sobre juros é normal. A autonomia do Banco Central não está em risco", respondeu.
O presidente do BC voltou a elogiar o projeto de arcabouço fiscal, enviado na terça-feira (18) pelo governo ao Congresso. "O arcabouço fiscal está na direção certa. É preciso trabalhar a comunicação. Pode ser que tenham reparos e melhorias no Congresso", opinou.
O tema do arcabouço uniu os presidentes do Senado e do Banco Central. Rodrigo Pacheco disse que o projeto enviado pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, foi recebido com “otimismo” no Senado. "A linha apresentada pelo ministro Fernando Haddad agradou de sobremaneira a maioria dos líderes que compõem o Senado Federal", comentou o parlamentar que incluiu: "Eu devo reconhecer que o teto de gastos foi muito útil para sustentar o Brasil em crises agudas. Mas chegou o momento de haver a substituição do teto de gastos".
Em sua participação, o presidente do Banco Central defendeu o sistema de metas de inflação e a autonomia do BC, que dá liberdade para o órgão agir sem atender às pressões políticas.
O dirigente lembrou que a Argentina aumentou sua meta e diminuiu a taxa de juros, causando uma disparada na inflação. Segundo Campos Neto, se o Banco Central não tivesse aumentado a taxa de juros na eleição, hoje a inflação seria de 18,75%. "Quando a inflação sai do controle, as empresas e o ricos se adaptam, mas os pobres não. Inflação é desigualdade e aumento de pobreza. Quem tem menos recursos não consegue se proteger", afirmou.
O economista frisou que, se for feito um ajuste de juros “sem as condições“, o resultado pode ser “desastroso” para o crédito. "Países que abandonaram o sistema de meta entraram num sistema inflacionário muito alto", completou.











