A Polícia Federal identificou homem suspeito de ter quebrado, no Palácio do Planalto, o relógio Balthazar Martinot, obra de arte do século 17 que chegou ao Brasil pelas mãos de dom João 6º em 1808.

Segundo informações, o responsável pela depredação seria Cláudio Emanoel da Silva Gomes, de 30 anos, morador de Catalão, interior de Goiás, distante 277Km de Valparaíso e Novo Gama.
A cena que chocou o Brasil fez a cidade de 113 mil habitantes a conviver com o burburinho sobre a identidade do homem que aparece nas câmeras de segurança do Palácio do Planalto jogando a relíquia no chão durante a invasão golpista do dia 8 de janeiro.
O GLOBO esteve no local onde o suspeito morava antes de fugir e entrevistou quatro pessoas, uma delas a própria irmã de Ferreira, que confirmou sua identidade, mas evitou dar detalhes do homem dizendo que está “muito triste” e “preocupada” com a situação.
"Fiquei sabendo que era ele mesmo pela reportagem (do Fantástico, da TV GLOBO), que eu vi que era ele. Eu queria até saber notícias de onde ele está. A gente acaba ficando preocupada. Pelas atitudes dele, eu vi que o que ele fez é muito errado. Mas estou preocupada porque não sei se ele foi preso e onde está", afirmou Rosinaline Alves Ferreira.
A proprietária da casa alugada pelo suspeito também confirmou a identidade de Cláudio Emanoel como autor do ataque contra a peça rara no Planalto. Desde novembro, segundo ela, Ferreira deixou de fazer os pagamentos mensais de R$ 400, justificando ter gastado dinheiro com as recorrentes viagens a Brasília, onde participava do acampamento em frente ao Quartel General do Exército. A dona do imóvel, que pediu para não ser identificada porque teme retaliação, conta ainda ter ficado estarrecida quando reconheceu o seu inquilino nas imagens que circularam.
Na residência de Ferreira, a fachada da casa abandonada exibe uma bandeira do Brasil e um adesivo com a foto, nome e o número de campanha de Bolsonaro colado na parte superior do portão da garagem.
O pintor Valderlei Gonçalves, que mora em um imóvel construído nos fundos do mesmo terreno e teve acesso ao interior da residência, relata que o suspeito deixou para trás uma Bíblia, uma faca, um boné com o nome do ex-presidente Jair Bolsonaro, roupas e uma panela cheia de arroz. Ele conta ainda que em cima do sofá havia um caderno com anotações escritas à mão ao lado do nome “BOLSONARO”, em letras garrafais. Uma delas é o endereço de um site com informações falsas sobre as urnas eletrônicas.
"Antes daquela bagunça lá em Brasília, ele (Ferreira) colocava o hino da Bandeira e tocava durante três horas aquela barulheira", contou o vizinho, relembrando que o suspeito sumiu da residência um dia após o episódio que o tornou conhecido.
As investigações da tentativa de golpe de estado do 08 de janeiro teria obtido imagens do carro do suspeito de terrorismo em uma Rodovia goiana, rumo à sua cidade.
Ex-chefe de Ferreira em uma oficina mecânica catalana, Fernando Zorzetti também confirma ter reconhecido o ex-funcionário após ver a imagem na televisão. Ele disse que o golpista era “uma pessoa simples” e que acredita que “pode ter confundido” o relógio centenário “com um vaso de planta“.
“Eu vi na televisão. Era ele mesmo. Eu tenho 100% de certeza que é ele. Fiquei assustado: ‘Como assim, o Claudinho?'” afirmou Zorzetti, acrescentando: "Pode ter passado na cabeça que aquilo (o relógio) era um vaso de planta ou um trem qualquer, sem ter noção que era um patrimônio histórico ou relíquia. Se as imagens não forem montagens ou se ele não tiver irmão gêmeo, é ele com certeza."
Pessoas que tiveram contato com Ferreira relatam que ele costumava mandar mensagens com vídeos em apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro e com registros dos acampamentos golpistas localizados em frente aos QGs do Exército. No perfil do WhatsApp do mecânico, há uma foto do acampamento com um boneco extraterrestre verde segurando uma faixa com uma mensagem inconstitucional: "Intervenção militar com Bolsonaro no poder".








