Deputados de oposição protocolaram nesta sexta-feira (23) o pedido de impeachment do governador do Distrito Federal (DF), Ibaneis Rocha (MDB), por suposta atuação na compra do Banco Master pelo Banco Regional de Brasília (BRB).

A transação defendida pelo governador envolveu, segundo investigações da Polícia Federal, incluiu a negociação de “Carteiras de Créditos Podre”, o que já teria causado um rombo efetivo nas contas do banco estatal, supostamente fraudadas para inflacionar o preço da instituição do banqueiro Daniel Vorcaro.
Em tramitação na Câmara Legislativa do DF, a ação alega que Ibaneis cometeu crime de responsabilidade mesmo sabendo dos riscos do negócio para o patrimônio do DF. “O denunciado, na qualidade de Chefe do Poder Executivo e acionista controlador indireto do BRB, teria impulsionado e defendido publicamente operação de elevado risco”, destaca trecho do pedido de impeachment.
O documento reforça, ainda, que o prejuízo ao BRB agora é incontestável. Nesta sexta, o BACEN determinou que o BRB aporte R$ 2,6 bilhões para cobrir as perdas em razão das operações com o Master.
Para que o pedido de impeachment avance, é preciso que o presidente da Casa, Wellington Luiz (MDB-DF) dê o aval.
Assinaram o pedido:
- Rodrigo Dias (PSB-DF);
- Rodrigo Rollemberg (PSB-DF);
- Ricardo Capelli (PSB-DF);
- Leonardo Pinheiro (PSB-DF);
- Cristovam Buarque (presidente do Cidadania)
- Rodrigo Pereira e Lynecker Juliano (advogados)
O diretório o PSOL também protocolou um pedido, esse assinado pela presidente regional da legenda, Giulia Tadini.
Caso Master
As liquidações do Banco Master, decretada pelo BC em novembro de 2025, e da gestora de investimentos Reag, na quinta-feira (15), revelaram uma das maiores fraudes do sistema financeiro brasileiro. O caso envolve cifras bilionárias em fundos de investimento falsos para ocultar prejuízos, tentativas de socorro via banco público e conflitos entre o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Tribunal de Contas da União (TCU) com o BC e PF.
“A decretação do regime especial nas instituições foi motivada pela grave crise de liquidez do conglomerado Master e pelo comprometimento significativo da sua situação econômico-financeira, bem como por graves violações às normas que regem a atividade das instituições integrantes do SFN”, informou o BC à época da liquidação.
A PF também quebrou os sigilos bancário e fiscal de 101 pessoas e entidades investigadas no caso do Banco Master. A medida foi autorizada em 6 de janeiro pelo ministro Dias Toffoli, do STF.
As quebras de sigilo abrangeram as movimentações no período de 20 a 21 de outubro de 2025. A solicitação foi pela Polícia Federal (PF) com aval da Procuradoria-Geral da República (PGR).








