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“Não chegaríamos aqui sem Lula” diz o presidente do Paraguai na assinatura do acordo UE-Mercosul, que depois ironizou Trump

Em entrevista à DW, o presidente do Paraguai, Santiago Peña, ressaltou o papel do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas negociações que concretizaram a assinatura do acordo comercial entre a o Mercosul e a União Europeia, que cria o maior flúxo de livre comércio do mundo.

Presidente do Paraguai Santiago Peña / Foto: Reprodução (O Dia)

“Não podemos nos esquecer do presidente Lula da Silva, presidente do Brasil”, acrescentou Peña. “Nos últimos 25 anos, tivemos essa disputa entre o Brasil e a Argentina, e quando a Argentina era a favor, o Brasil era contra. E quando o Brasil era a favor, a Argentina era contra”, disse ele.

“Agora chegamos a um ponto em que o presidente Lula assumiu isso como um projeto especial para ele e para o presidente [argentino] Milei, com uma agenda econômica muito aberta e livre – o que se encaixa muito bem com o acordo de livre comércio.”

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, elogiou o acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul como uma “grande conquista” e ironizou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que, segundo ele, estava entre os que deveriam ser agradecidos por impulsionar a concretização do pacto, após décadas de negociações.

“Um grande agradecimento ao presidente Trump, é claro, porque ele veio com essa nova agenda sobre tarifas, o que assustou muitos países europeus. Então, eles acharam que seria bom assinar um acordo com outras regiões”, disse Peña à DW em Assunção, neste sábado (17).

Peña disse esperar que o amplo pacto seja uma oportunidade para a UE “redescobrir a América do Sul”.

“Nos últimos 30 anos, a Europa se concentrou tanto no processo de integração da União Europeia que se esqueceu deste continente”, afirmou.

O acordo continua impopular entre os agricultores europeus e a França, peso-pesado da UE, e poderá enfrentar um teste decisivo quando os eurodeputados votarem o pacto ainda este ano.

Questionado sobre possíveis atrasos da UE, Peña listou outros potenciais parceiros comerciais para o Mercosul, incluindo Japão, Indonésia, Vietnã e Canadá.

“Os países do Mercosul estão mais do que dispostos a se integrar ao mundo inteiro”, disse ele.

Captura de Maduro: “Não vemos outra alternativa”

As reações à captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelos EUA variaram bastante entre os países do Mercosul. “Não vemos outra alternativa para o que aconteceu. Quero dizer, a incursão dos EUA e a captura de Maduro”, disse Peña à DW.

“Agora precisamos entender que os prisioneiros precisam ser libertados. As pessoas que estavam exiladas precisam retornar, e deve haver um caminho claro para o retorno da democracia à Venezuela.”

Peña disse que entende a condenação de muitos países às ações dos EUA, mas afirmou que a própria experiência do Paraguai com ditaduras passadas influenciou seu ponto de vista. “O que aprendemos com a nossa própria história é que ditadores não saem do poder com panfletos e manifestações nas ruas.”

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