Acadêmicos de Niterói abriu os desfiles do Grupo Especial com enredo polêmico; Mocidade também foi rebaixada

A Acadêmicos de Niterói, escola que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não teve bom desempenho na apuração. Oficialmente rebaixada para a Série Ouro em 2027, a agremiação recebeu 10 somente no último quesito. A escola foi a primeira a desfilar pelo Grupo Especial do Rio de Janeiro, com um dos enredos mais comentados do carnaval de 2026, Do Alto do Mulungu Surge a Esperança: Lula, o operário do Brasil, desenvolvido pelo carnavalesco Tiago Martins. A nota recebida foi de 264,6.
A segunda agremiação rebaixada foi a Mocidade Independente de Padre Miguel, que apresentou o samba-enredo Rita-Lee, A Padroeira da Liberdade, assinado pelo Renato Lage. A pontuação foi 267,4.
Como funcionam as notas neste ano
O regulamento do Grupo Especial passou por mudanças importantes em 2026. O total de jurados subiu para 54, mas apenas 36 notas são consideradas após dois sorteios realizados antes da abertura dos envelopes pela Liga.
Um dos sorteios define a ordem de leitura dos quesitos, que também serve como critério de desempate, sendo que o último serve para tal. O outro elimina dois julgadores de cada fundamento. Além disso, como já ocorria, a menor nota de cada quesito é automaticamente descartada.
Na prática, o resultado final de cada escola é formado por 27 notas válidas, metade das avaliações atribuídas inicialmente. As pontuações variam entre 9 e 10, com décimos, e a nota zero só é aplicada quando há ausência de quesito.
Os nove fundamentos tradicionais também foram detalhados em 26 subquesitos, incluindo critérios como criatividade, funcionalidade, espontaneidade e riqueza poética.
Como foi o desfile da Acadêmicos de Niterói
A apresentação chamou atenção logo na comissão de frente, que encenou momentos recentes da política brasileira. Atores usaram máscaras de Lula, Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (MDB) para retratar o processo de impeachment de 2016.
Em seguida, uma cena representou a prisão de Lula durante a Lava Jato e a ascensão de Jair Bolsonaro, interpretado por um ator fantasiado de palhaço Bozo. Em um dos carros alegóricos, o personagem reapareceu atrás das grades, simbolizando a prisão por tentativa de golpe de Estado.
Outra ala, chamada “Neoconservadores em conserva”, provocou reação de parlamentares aliados de Bolsonaro, entre eles a senadora Damares Alves e o deputado Nikolas Ferreira.
O desfile também contou com participações conhecidas do público. O ator e humorista Paulo Vieira interpretou Lula, enquanto a atriz Dira Paes representou dona Lindu, mãe do presidente, em uma cena que retratou a migração da família do interior de Pernambuco para São Paulo.








