Um ofício obtido com exclusividade pela CNN revela que houve uma denúncia, em 2019, feita pela única empresa de tráfego aéreo até então autorizada para operar na terra Yanomami, em Roraima, relatando cobrança de propina, achaque e fraude em licitação do nomeado pelo governo Bolsonaro para cuidar da reserva.

Após ser feita nos órgãos competentes, a denúncia foi enviada diretamente ao gabinete do então presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), em agosto daquele ano.
O documento foi recebido por uma servidora da Presidência, que protocolou a entrega. Aliados do ex-presidente já saíram em sua defesa afirmando à reportagem que o gabinete era desorganizado, não sendo garantido que a denúncia tenha chegado ao ex-chefe do executivo nacional.
A CNN questionou a assessoria de Bolsonaro, que afirmou que todas as comunicações e ofícios enviados à Presidência e inerentes a outras pastas eram encaminhados aos respectivos ministérios.
Única empresa autorizada a operar na terra Yanomami à época, a Voare explica que atendia diversas comunidades indígenas através de contratos com a secretaria especial de saúde indígena, vinculada ao Ministério da Saúde.
Para que médicos, enfermeiros e medicamentos chegassem à terra indígena, era necessário que esse secretaria fizesse o contrato.
“Ocorre que, recentemente, o coordenador do Distrito Indígena Yanomami foi nomeado pelo senador Messias de Jesus, o que nos trouxe grande indignação, pois, de início, o senador pediu propina para nos manter no contrato. Caso contrário, seriamos substituídos”, relata o ofício.
“Nosso contrato havia expirado em janeiro de 2019, estávamos trabalhando por indenização até que o contrato emergencial, em andamento no SESAI Brasília, fosse concretizado, onde a Voare sagrou-se vencedora”, complementam.
A empresa destaca ainda que o coordenador indicado pelo senador teria decidido realizar uma nova cotação de preço, restringindo a participação de empresas, exigindo que os aviões fossem “aeromédicos”, ou seja, que tivessem equipamentos para que atendimentos também pudessem ser feitos no veículo.
Eles teriam ido à justiça denunciando fraude em licitação, restrição de concorrência. A Voare teria sido desclassificada por não possuir o equipamento aeromédico, mesmo apresentando menor valor de serviço.
Ainda revelam que caso semelhante teria acontecido em 2013, também denunciando ocorrido, mas que, naquela ocasião, as pessoas envolvidas com o suposto esquema de corrupção foram presas.
No ofício de 2019, a companhia ressalta: “Apesar de impetrado denúncias nos diversos órgãos de controle (CGU, MPF, TCU, PF e justiça) e conversado pessoalmente com a Secretaria Nacional Silvia Waipua, não obtivemos nenhum retorno”. Assim, justificam ter tentado contato com o então presidente.
Conteúdo: CNN Brasil








