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Em áudio enviado para colegas, Bruno Pereira, morto no Vale do Javari, fala em perseguição e política “anti-indigenísta” da Funai

Indigenista assassinado na região do Vale do Javari no começo de junho, Bruno Pereira enviou um áudio em maio à colegas da Funai (Fundação Nacional do Índio), no qual denunciava ‘apropriação’ da entidade pelo governo e a perseguição contra ele.

Indigenista Bruno Araújo Pereira, morto no Vale do Javari
Foto: reprodução (Daniel Marenco/EFE em 09-10-2019)

No áudio divulgado pela CNN Brasil, o indigenista afirma que estava sendo perseguido pela Funai, da qual ele que é servidor, foi licenciado e julgado “quase como um chefe de milícia”.

Aí, você vê, né, como o presidente usa atividade essencial para o cara ir lá pintar os 'korubos', sabe? E aí, os servidores que me denunciaram para, né, para a corregedoria, para 'Pad', que eu estou respondendo, quase como um chefe de milícia, sabe?", afirmou num trecho.

Segundo Pereira, ele estava sendo atormentado pelo órgão, desde o começo do governo de Jair Bolsonaro (PL).

"Ninguém abre um 'ai'. E ninguém, quando a gente foi acusado ali embaixo, disso e de assado, ninguém abre um 'ai', né?", acrescentou.

Pereira também acusou o responsável por um cargo de DAS1 (Direção e Assessoramento Superior) na Funai, de tentar fingir “que esse governo (atual) não é anti-indígena”.

"O fulaninho do DAS 1, para se garantir, fica fingindo que esse governo não é anti-indígena, mas nós que estamos aqui. Quem é tu cara pálida? Foi totalmente abduzido, tomada, se apropriaram da Funai, todos nós sabemos disso", acusou ele.

Antes disso, o indigenista comentou sobre seu afastamento da entidade e apontou, no áudio, que já sabia que o processo seria “uma luta ferrenha”.

"Quando pedi meu afastamento, sabia que ia ser dessa forma, sabe? Sabia que ia ser uma luta ferrenha e estava preparado para isso, tenho meus filhos pequenos para dar de comer também, tenho toda uma história, tenho minha imagem, eu tenho também minha reputação, que eu, pelo que já lutei, já vivi, mas eu não conseguiria ficar ali. caladinho", disse.

Incentivando seus outros colegas a “não baixar a cabeça”, Bruno Pereira afirmou que o governo Bolsonaro e a diretoria da Funai sabiam pelo que ele lutava:

"Não vamos baixar a cabeça, não. Força aí, não desanime. Estar perto de mim é criptonita, é tóxico para essa direção. Eu me sinto bem por isso. Triste pelo todo, né? Bem no sentido de que bom que eles sabem muito bem o terreno marcado pelo que eu luto, né? Eu sei de que lado e quais as lutas que eu estou combatendo, né? Onde a gente está ganhando e onde a gente está perdendo", afirmou.

Ouça o áudio completo:

O indigenista Bruno Pereira e o jornalista Dom Phillips desapareceram no dia 05 de junho na região do Vale do Javari e após a confirmação das mortes de ambos, a Polícia Federal chegou a dizer que o crime não tinha mandante, mas devido a prematuridade da conclusão, agora a corporação diz que as investigações continuam para descobrir se haviam mais alguém por trás dos assassinatos.

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