Investigação aponta articulações com traficantes e possível ligação a um novo grupo criminoso; oficial já havia sido expulso da corporação

A Justiça Militar do Estado do Rio de Janeiro decretou a prisão preventiva do capitão da Polícia Militar, Alessander Ribeiro Estrella Rosa. Ele é suspeito de negociar com traficantes do Comando Vermelho (CV), uma das maiores e mais perigosas facções criminosas do estado e do Brasil. As negociações colocariam Alessander, inclusive, como um integrante de um “novo Escritório do Crime”.
A confirmação do mandado de prisão preventiva contra o capitão foi informada pela Polícia Militar na última sexta-feira (6). Ele estava afastado das atividades desde o mês passado, quando áudios de conversa de Alessander e Edgar Alves Andrade, o Doca, um dos mais influentes integrantes do CV, viralizou. Doca tem 26 mandados de prisão expedidos pela justiça.
Este “novo Escritório do Crime”, onde traficantes e antigos policiais, com histórico de expulsões de corporações, atuam como matadores de aluguel a mando de influentes e poderosos, que visam eliminar concorrentes e expandir negócios.
Em texto publicado numa rede social, o coronel Marcelo de Menezes, secretário de Estado da Polícia Militar do Rio de Janeiro, celebrou a ação e classificou como proativa e contundente.
"Esta ação proativa e contundente da Corredgedoria da SEPM reitera o compromisso do Coronel PM Marcelo de Menezes de não compactuar com desvios de conduta ou cometimentos de crimes praticados por integrantes da Corporação, sejam oficiais ou praças", escreveu o perfil da PMERJ em uma rede social", disse
Supostas alianças entre policiais e traficantes
O Rio de Janeiro segue sendo palco da violência que, cada vez mais, toma conta da capital e do estado. Casos como os do capitão Alessander não são raros e nem tão pouco frequentes. Inclusive, viraram até mesmo “pano de fundo” dos marcantes filmes “Tropa de Elite”, sucesso de bilheteria no Brasil nos anos 2000 e 2010.
A saída de policiais (expulsos ou não) e seu envolvimento com o crime organizado no Rio de Janeiro ganhou ainda mais notoriedade pelo assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista dela, Anderson Gomes, no início de 2018. Ambos foram executados pelo ex-policial Ronnie Lessa, que confessou o crime e apontou os irmãos Chiquinho e Domingos Brazão, o primeiro deputado federal e o segundo conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, como mandantes.
Ambos seguem presos.








